domingo, 17 de outubro de 2010

O sistema é f*da, parceiro.

Depois de mais de duas semanas sem postar, estou de volta.
Semana meio que tumultuada, só arranjei tempo (arranjei na marra) na sexta para assistir a continuação do nosso glorioso Tropa de Elite, de 2007.
Tudo bem que a essa altura, o país inteiro já deve ter assistido. E isso não é um exagero tão absurdo, quando se analisa que 1,2 milhões de pessoas assistiram ao filme só no fim de semana de estréia, se tornando a melhor abertura para um filme nacional de todos os tempos (só para comparar, a ex-maior abertura era de Chico Xavier, desse ano, com pouco mais de 500 mil pessoas, menos do que a metade da abertura de Tropa 2). E as sessões até agora não pararam de esgotar, nem vão parar tão cedo. Para você que não vê nada demais nisso, saiba que estamos diante de um fenômeno cinematográfico. Isso simplesmente NÃO acontece.

Vou confessar, que antes de assistir a essa continuação, eu estava esperando apenas mais do mesmo. Bope tocando o terror na bandidagem durante 2 horas de filme. Eu teria ficado satisfeito com apenas isso (todo mundo teria, na verdade, como prova a popularidade do primeiro flme). Mas Tropa 2 não apenas me surpreendeu ao seguir um caminho bem diferente, como me deixou tenso e inclinado em direção a tela durante toda sua duração. E pelo visto o mesmo aconteceu com todos os outros que tavam na sala, já que o filme foi aplaudido (até de pé, por algumas pessoas), após a sessão.
E merecidamente. Se trata de um golaço no ângulo, feito pelo cinema nacional. Nunca vi um filme brasileiro tão bem dirigido, bem atuado, bem escrito quanto esse. 
Sim, meu caro. Tropa de Elite 2 deixou o filme original no chinelo.

Vou tentar descrever o mínimo possivel a história do filme, já que as reviravoltas aparecem aos montes. E é muito melhor se surpreender vendo a tela grande do que esse blog. (se é que você ainda não viu o filme).

Devido a uma operação mal realizada no começo do filme, Nascimento, agora 15 anos mais velho, acaba saindo do Bope. Mas ao perceber que o mesmo é considerado um herói por parte da população, o governador do Rio de Janeiro lhe dá o cargo de Subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro, responsável por usar câmeras e grampos para combater o crime. Com isso, ele usa seu poder para transformar o Bope numa máquina de guerra, e consegue acabar com o tráfico e crime organizado nas favelas. Mas eis que aqueles de fora, que lucravam com o tráfico, acabam descobrindo outras maneiras de ganhar com o crime. E assim começam a surgir as Milícias nas favelas, que além de comandar o local, transformam o mesmo num enorme curral eleitoral.

Pareceu complicado? Pois isso é apenas uma gota no oceano de informação que é Tropa de Elite 2. Contando com um roteiro simplesmente brilhante (escrito por Bráulio Mantovani, o mesmo do primeiro filme e de outro clássico do cinema nacional, "Cidade de Deus"), o filme joga informação atrás de informação sem jamais subestimar a inteligência de quem está assistindo (algo que também elogiei em "A Origem"). Além de que os acontecimentos e reviravoltas se mostram perfeitamente plausíveis (as vezes, até dolorosamente possíveis). Contando com um final realmente destruidor, o roteiro talvez seja o maior responsável pela altíssima qualidade do filme.

Mas de nada adiantaria um excelente roteiro, se não houvesse um bom diretor. E José Padilha é um excelente diretor. Comanda sequencias de ação de maneira segura. Utiliza a câmera tremida de maneira comedida, sem jamais deixar as imagens confusas demais. E seu estilo é responsável por criar uma intensidade explosiva em praticamente todas as suas cenas (intensidade que já estava presente no primeiro filme, e no seu documentário "Ônibus 174 ").

E o elenco dispensa comentários, na verdade. Boas atuações são lugar-comum no cinema brasileiro (nós temos atores e atrizes sensacionais). Mas aqui, estão todas imersos em seus personagens. Destacando, óbviamente o trabalho impecável de Wagner Moura como Nascimento. Exibindo uma postura curvada, os ombros cansados, e um olhar triste, o excelente ator mostra incrível compreensão de seu personagem. Observe como por mais que evite explodir diante de qualquer pessoa, a insanidade furiosa de seu personagem acaba se mostrando novamente, ao dar uma dura em Matias, exibindo uma autoridade agressiva que o caracterizava antes, mas que agora permanece escondida.

Além de ótima diversão, o filme consegue nos fazer pensar. E muito. Mostrando que as coisas não são tão simples quanto parecem (o fato do Sistema se recuperar e se adaptar a cada porrada que toma é verdadeiramente assustador, pois afinal, qual é a solução então?).
Absolutamente nenhum país vai entender o filme tão bem, nem ter um carinho tão grande por ele, como nós brasileiros temos. Nascimento é ídolo justamente por realizar aquilo que nós sempre sonhamos realizar. Dar um basta em tudo isso. Bater de frente. Enquanto nós nos sentimos acuados frente a apavorante realidade do país, Nascimento levanta um enorme dedo do meio para toda essa confusão. 

Tropa de Elite 2 é uma experiêcia de lavar a alma. Tanto para os amantes do bom cinema, quanto para nós brasileiros, que temos a oportunidade ver alguém finalmente fazendo a justiça por nós. Mesmo que seja apenas por algumas horas, em um filme.

Não assistiu ainda? Tá esperando o que?

Valeu!
Abraços.

4 comentários:

  1. Amei a descrição! *-*
    Super indico esse filme!

    by: Paula

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  2. Tem toda razão!!o filme é realidade crua do Nosso País,tirando é claro que no filme alguns políticos foram para Cadeia,coisa q não acontece no brasil,a não ser algumas exceções mas q não chegam ficar dias.E tropa elite 2,nos realiza por alguns minutos. Ele é simplesmente um é super Mega filme,q dar orgulho de dizer q é do Brasileiro.

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  3. Concordo. Um filme esplêndido! Esse filme mostra a realidade do nosso Brasil, mais as pessoas preferem ficar cegas diante dessa situação. Quem dera as pessoas abrissem os olhos mediante a tudo isso.

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  4. vc escreve super bem cara! disse tudo!
    vou ver de novo.....

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