segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Força sempre!

Na refilmagem de 2008 do clássico "O Dia em que a Terra Parou", (na qual Keanu Reeves interpreta o alienígena Klaatu), a principal ameaça, aquilo que aterrorizava toda a humanidade, não eram os alienígenas. Pelo menos não para quem estava assistindo o filme.
O que mais aterrorizou o público foi a presença em cena de um garotinho chamado Jaden Smith (vulgo "filho do Will Smith"). Esse garoto conseguiu a façanha de arruinar TODAS AS CENAS em que aparece, e ser completamente irritante e insuportável em todas elas.
Então quando descobri que ele faria o papel principal da refilmagem de Karate Kid, imediatamente fiquei com um pé atrás. Como poderia um garoto chato desse interpretar um dos personagens mais carismáticos que o cinema já viu?

Felizmente, eu estava enganado. Com esse Karate Kid, o moleque não apenas se redime totalmente daquela atuação desastrosa, como consegue emocionar o público com seu personagem.

A história do filme é parecida com a do original. Garotinho chamado Dre se muda com a mãe para a China. Lá ele é discriminado e atacado pelos valentões locais (aquele tal de "bullying", sabe?). Eis que ele conhece o Sr. Han (que era o Sr. Myagi no original) que o ensina a lutar para se defender desses ataques, ao mesmo tempo em que o treina para lutar em um torneio.

Jaden Smith, se antes me emputecia com sua presença em qualquer filme, agora surge absolutamente real e carismático. Pois se inicialmente apresenta algumas irritações e mal humor, é apenas porque o roteiro exige que isso aconteça (afinal, deve ser difícil simplesmente se mudar para a China de uma hora para a outra, onde não se conhece nem as pessoas e nem os costumes completamente).
E é bastante comovente vê-lo tentar conter o choro na primeira surra que leva dos valentões chineses, além de provar que Smith tem talento para ser um ator dramático tão bom quanto seu pai (sim, além de um talentoso ator cômico,Will Smith provou sua capacidade como ator dramático em filmes como À Procura da Felicidade e Eu Sou a Lenda).

Outra boa surpresa do filme é justamente o já veterano Jackie Chan. Embora seja sempre carismático em todos os seus filmes, Chan raramente demonstrava seu talento para drama. E aqui, devo dizer que ele faz seu melhor trabalho. Além de óbviamente, apresentar um talento inigualável nas artes marciais, Chan se sai extremamente bem como ator, particularmente em um momento doloroso que se passa dentro de um carro com o personagem de Jaden Smith.

Vale destacar também a atuação de Taraji P. Henson, como mãe de Dre, que demonstra um amor imenso pelo seu filho, embora se mantenha rigorosa em sua educação. E é também tocante observar no momento em que a mãe chama atenção de Dre, por apresentar um olho roxo, somente para logo em seguida defendê-lo de uma pessoa que tenta insinuar que o garoto seja encrenqueiro.

E se até agora só falei da parte dramática do filme, foi porque foi o que mais me surpreendeu.
Porém, o humor presente no longe também é impecável. Desde o jeitão cansado de Jackie, passando pela empolgação ingênua de Dre, e pela carinhosa presença de uma menina que aparece como seu interesse romântico, o filme vai deixar todo mundo sorrindo por um bom tempo, ainda mais vendo o treinamento inicialmente sem sentido do Sr. Han (que, mais uma vez, se torna emocionante ao percebermos o quanto toda aquela repetição é necessária).

É então frustrante, portanto, reparar que o filme desperdiça momentos com enorme potencial no torneio de artes marciais no final do terceiro ato. Tentando empregar cortes rápidos e golpes irreais (que ainda usam efeitos especiais), nessa hora o filme perde seu impacto, o que é uma pena.
Até porque, não importa o quão estrambólico o golpe final seja (e acredite, o chute dado por Dre no final do torneio é MUITO exagerado) não chega nem aos pés da emoção de ver o Golpe da Garça finalmente ser dado com perfeição por Ralph Macchio no final do Karate Kid original, de 1984.

Mas nada disso consegue arruinar o filme como um todo. Muito pelo contrário. Apesar dessas falhas serem todas no final, ainda assim saí empolgado e feliz com o que eu tinha acabado de assistir, o que comprova a força da história do filme.

Afinal, não importa o quão manjadas e piegas sejam as velhas boas lições, elas jamais deixam de nos emocionar e inspirar.

"A vida vai nos derrubar, mas cabe a nós escolher se vamos ou não nos levantar novamente."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"The 80s are back"

Esse não será o post com o linguajar mais culto de todos os tempos, mas não se incomode.
É que simplesmente não consigo esconder a empolgação de ter visto esse filme.

Os anos 80 estão sendo devidamente homenageados nesse ano de 2010.
A começar pela divertida adaptação da série Esquadrão Classe A para o cinema, passando pela refilmagem de Karate Kid, chegando à continuação Tron: O Legado que chega no cinema no final do ano.
E claro, esse que se trata talvez de um dos filmes mais comentados do ano (nem sempre pelos motivos certos), Os Mercenários com seu inacreditável elenco.
Stallone, Jason Stathan (o careca de Carga Explosiva), Jet Li, Dolph Lundgren, Mickey Rourke, e ainda com tempo para participações dos monstros do cinema de ação, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger.
Aí em cima estão precisamente todos os motivos para se assistir a esse filme.
"Mas e a história?" você perguntaria.
Pra lhe ser honesto, assisti o filme, aplaudi e vibrei junto com o cinema inteiro (que estava lotado) e em nenhum momento lembrei de reclamar da história.

Me lembro que havia um ditador malvado (sempre tem), com um americano ainda mais malvado por trás (lugar comum hoje em dia).

E é isso.

Fora isso, tem muito tiro, explosão, gente explodindo em pedaços, gente levando tiro, gente levando facada.
É o cinema de ação dos anos 80 em sua melhor forma.
E é FUNDAMENTAL que quem assistir a Os Mercenários gostei desse gênero de filmes (tipo, 98% da população masculina do mundo).

O filme começa meio fraco, até por que as cenas de ação, com seu ritmo frenético e câmera balançando terrivelmente acaba por atrapalhar.
Aliás essa moda de "câmera tremida" deveria ser relegada somente ao diretor Paul Greengrass (que dirigiu A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne) já que só ele sabe fazer direito.
Portanto se você não é Paul Greengrass, NÃO COLOQUE UMA CÂMERA TREMIDA em suas cenas de ação. Não é legal, não é interessante, não é inteligente.

O filme fica nesse ritmo meio morno (embora como eu já tenha dito: a presença dos atores, ídolos de toda uma geração, acaba por apagar a maioria das falhas) até mais ou menos o final do segundo ato.
Porém ali, nos 30 minutos finais, toda e qualquer reclamação que eu tinha do filme foi pelo ralo.

Numa porrada sensacional entre os mercenários do título e o exército do Ditador, é tanto sangue, tanto nêgo pegando tiro, facada, explodindo, que o cinema inteiro ficou maluco.
Seja vendo Stallone cair no soco com o lutador profissional Steve Austin, ou ver um Stathan alucinado decepando membros de praticamente o exército inteiro, ou ver Jet Li bicudando a cara de qualquer um que se aproximasse, ou ver Terry Crews (o Latrell, de "As Branquelas") literalmente explodindo pessoas com uma metralhadora, é nessa hora que o filme ganha o público de vez.

Importante mencionar também outra cena sensacional, que ocorre mais no começo. Se trata do encontro dos três titãs do cinema de ação, Stallone, Bruce Willis e o Arnold Schwarzenegger. Sim, ele mesmo.
A breve conversa entre os três se trata de um dos melhores momentos do filme, com eles disparando insultos um para o outro. Chegava a ser palpável a alegria do pessoal (e me incluo nesse pessoal) que cresceu vendo filmes desses caras, que por muito tempo foram nossos ídolos.
E é sempre um prazer ver o Exterminador do Futuro em pessoa voltar a dar as caras na tela grande!

E não posso esquecer de chamar atenção para a presença de Mickey Rourke (o cara que fez o Chicote Negro esse ano em "Homem de Ferro 2" e que deveria ter ganho o Oscar ano passado por "O Lutador"). Mesmo sendo quase uma participação especial, ele rouba todas as cenas em que aparece. Especialmente naquela que se revela a única cena realmente dramática de todo o filme, na qual o cara conta coisas do passado para o personagem de Stallone.
Mickey Rourke deveria ter uma participação maior.

Bem, é isso.
Se você gosta dos filmes de ação dos anos 80, com um homem só destruindo um exército inteiro, então Os Mercenários é o filme do ano para você.
Se não for fã de violência, então corra... corra para bem longe!

Abraços!

obs.: na nossa gloriosa cidade, o filme só estreou dublado. Então sim, assisti a esse filme dublado, e a qualidade de som da nossa sala estava péssima. Mesmo assim o filme conseguiu ser bom como foi.

Tudo bem que traduzir "The Expendables", título oficial do filme para "Os Dispensáveis/Os sacrificáveis", que seria tradução oficial, não ficaria muito bacana, então eu entendo perfeitamente a tradução para "Os Mercenários". É até um bom título.

Agora velho, toda vez que aparecia um "expendable" escrito em uma moto ou algo assim, o cara traduzia para "Mercenário"! Isso está errado!
O público já está ciente do título do filme, então agora já pode botar as traduções CORRETAS das palavras!
Só uma pequena reclamação.
=D

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"ok..."

O que leva um homem a passar por humilhações (a maioria delas, pessoais) por uma mulher?
Que sentimento seria forte o bastante para impulsionar um rapaz, que até aquele ponto se achava convencido da própria segurança e tranquilidade em relação a sentimentos, a ir de encontro a dúvidas, a frustrações na vã esperança de trocar uma palavra que seja com a mulher que ele gosta?

Esse é um post pessoal, sobre questionamentos.
Não era minha proposta inicial, mas devido às circunstâncias, ao mesmo tempo em que eu PRECISAVA fazer isso, também não vi motivo algum para não fazê-lo.
Mas voltando a questão, por que um ser humano se joga tão intesamente contra uma situação em que ele sabe que só o trará mais complicações, mais dúvidas? POR QUE?

Interessante notar que a oportunidade de avaliar isso racionalmente, me faz esquecer do incômodo que é estar nesta situação.
Sim, nesse momento, não me sinto mal. Me sinto apenas curioso.
Afinal, se eu sabia que insistir, que correr atrás, ia me trazer infelicidade, por que fui mesmo assim?
Não seria mais fácil apenas, ter evitado tudo isso? Ter escolhido outro caminho, o caminho de NÃO SE APAIXONAR e simplesmente ter seguido em frente, sem maiores complicações?

Afinal que porra de pergunta é essa? É CLARO QUE SERIA MAIS FÁCIL!

Seria mais fácil, mas qual seria a graça nisso?
Qual é a graça de você ficar sozinho, apenas você, intocável contra essas paixões?
O lema de "solteiro sim, sozinho nunca" não necessariamente se aplica aqui, já que ficar com uma mulher numa festa que seja, ou em qualquer outro lugar, não necessariamente EXIGE algo de você. A não ser, talvez coragem, para os mais tímidos.
Tá certo que sair agarrando sem responsabilidade é algo divertidíssimo e saudável de se fazer, mas no final das contas, você ainda vai tá sozinho. Não é a toa que depois de um tempo, a maioria escolhe relaxar, escolhe se acalmar.

Então essa é chave. Se a gente não sofre, não passa por dificuldades, a vida não tem a mesma graça.
Claro que se apaixonar e se foder no processo é algo que dá trabalho, mas depois de superado isso DESPERTA algo no indivíduo. Pode ser nostalgia, pode ser um certo trauma, podem ser boas risadas, mas desperta algo SIGNIFICATIVO.
Sempre tentei evitar me apaixonar, mas nunca consigo ser bem-sucedido nessa tarefa.
Considerando que eu já não sou o maior "pegador" de todos os tempos, imagina o que seria de mim, se eu tivesse me mantido fechado todo esse tempo?

Então um conselho amigo? Se apaixone, sem medo. Se der certo, seja feliz. Se der errado, sofra, melhore e encare tudo outra vez! As duas opções valem a pena! Não fique tentando evitar, por que você apenas está se privando de uma das coisas mais interessantes dessa vida.

Não sei se alguém viu aquele filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", mas quem viu sabe que a fala final do personagem do Jim Carrey (dica: é o título desse post), no contexto do filme, é de despedaçar o coração de qualquer um.
Engraçado como algo tão simples quanto a palavra "ok" pode definir tão bem esse sentimento, e além disso, responder todas as perguntas que fiz no começo do post.


=)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Backstreet Benders

Sou fã de M. Night Shyamalan.

O cara dirigiu um dos poucos filmes que me aterrorizou de verdade (O Sexto Sentido), e realizou dois que estão entre meus favoritos: Corpo Fechado e Sinais.

Corpo Fechado, com seus trabalhos de câmera, seus planos-sequência, suas cenas cuidadosamente arquitetadas conseguiam deixar qualquer fã de cinema maluco (a brincadeira de reflexos logo no começo quando se revela um terrível fato sobre o bebê Elijah é prova do talento de Shyamalan).
Sinais com seu absurdo poder de sugestão, conseguiu deixar todo mundo com medo de alienígenas sem quase nem mostrar alienígena algum em cena. Eram sombras se movendo, ruídos, tudo isso comprovando o trabalho de um diretor brilhante.
A Vila, apesar de se tratar de um trabalho menos brilhante, se mostrava suficientemente interessante em suas idéias e se mantinha um bom filme. Embora ali começasse a aparecer os primeiros sinais da presunção de Shyamalan na sua maneira excessivamente lenta de dirigir certas cenas.

Tudo veio abaixo no filme seguinte.

"A Dama na Água", conto de fadas criado pelo diretor foi um marco na carreira de Shyamalan. Mas não se trata de algo positivo. Contando com uma história boba até para a criançada, cenas entendiantes pra cacete, e até mesmo um assassinato de um crítico de cinema no filme, realizado de maneira totalmente infantil, para servir de resposta aos críticos mais ferrenhos do diretor na época, o filme foi uma falha.
FALHOU MESMO. Total.

Mas começaram a sair os trailers de "Fim dos Tempos", e começou a empolgação de novo. Seria uma volta de Shyamalan ao gênero suspense, dessa vez com uma censura para maiores de 18 anos (que aliás foi um fato que as propagandas do filme muito usaram).
Tudo isso para todos nós nos decepcionarmos terrívelmente ao perceber que Fim dos Tempos é a maior piada cinematográfica lançada nos últimos anos. Com uma história beirando o ridículo ao mostrar uma "revolta da mãe natureza", lançando gases tóxicos na humanidade, fazendo com que todo mundo cometa suicídio.
Me lembro da minha vergonha quando levei uma amiga para assistir comigo. Nem sabia aonde esconder a cara, a medida que o filme ia ficando cada vez mais e mais ridículo (alguém lembra da cena que eles tentam correr mais rápido que o vento?)

Eu fiquei puto com estes filmes. Critiquei até o fim.
Mas ainda era fã de Shyamalan. Afinal, ele dirigiu Corpo Fechado e Sinais.
E um ser humano capaz de dirigir aquelas obras, merece para sempre respeito da população mundial.

E agora Shyamalan resolve adaptar o altamente bacana e memorável desenho da Nickelodeon, chamado "Avatar: A Lenda de Aang" ou "Avatar: O Último dobrador de ar". As vezes o dublador mudava o título. Enfim.
(Cuidado para não confundir com a galera azul do (ótimo) filme de James Cameron.)



O filme, como o desenho, mostra um mundo divido em quatro nações: Fogo, Água, Terra e Ar.
Em cada uma dessas nações, existem indivíduos capazes de manipular tais elementos. São os chamados "dobradores" ou, o termo em inglês "benders" (que curiosamente é um termo britânico para "homossexuais". O filme não está sendo levado muito a sério por lá).
Existe, no entanto, um indivíduo capaz de manipular todos os 4 elementos. Se trata do Avatar (a palavra "avatar" por vezes, significa a "representação física de uma divindade" na Terra), e tal Avatar é fundamental para manter o controle entre as nações e proteger todos de qualquer rebelião.
Porém a alguns anos atrás, uma das encarnações dessa divindade, que deveria conter uma revolta da Nação do Fogo, simplesmente desapareceu.
Porém, o espírito reencarnou em um simpático garotinho, chamado Aang (o moleque da seta na cabeça). Ele se une a dois indivíduos da Nação da Água (Sokka e Katara) para tentar por fim à tirania da nação do fogo.
Ah, e Aang é um dobrador de Ar (ou Mestre do Ar, como diz o título nacional).

Se trata na verdade, da primeira temporada inteira do desenho (entitulada Livro Um: Água). Então é difícil mesmo espremer tantos episódios em pouco menos de duas horas de filme. Então várias informações são simplesmente jogadas na cara do espectador. A pressa do filme é tamanha que muitos fatos importantíssimos do desenho se tornam meras observações (e mesmo essas são feitas com pressa).

As mudanças em relação ao desenho também são bastante absurdas.
Por exemplo, aqui no filme, os dobradores do fogo não são capazes de criar fogo das próprias mãos, eles necessitam de uma fonte de fogo pré-existente.
Porra, se é assim, então é só apagar a fonte de fogo que eles ficam na merda! Mas ninguém pensa nisso em nenhum momento do filme. No desenho, eles podiam criar fogo quando bem entendessem, e isso os tornava tão ameaçadores e justificaria também tamanha submissão dos outros povos.

Em determinado momento eles chegam a uma prisão onde se encontram vários dobradores de terra. E a prisão é completamente feita de... terra!
Meu Deus, porque os bacanas lá não simplesmente manipulam as montanhas e a terra sob os pés e destroem os guardas da nação do fogo que montam guarda? Mesmo assim, nada disso acontece. É preciso que Aang chegue e faça um discurso, para só então acontecer alguma coisa.
No desenho, se tratava de uma prisão de metal no meio do oceano, tornando muito mais compreensível os prisioneiros da nação da terra ficarem desestimulados a reagir.

E já que mencionei essa cena da prisão, aqui abro espaço para críticar outra imensa falha do filme: o próprio diretor.
Shyamalan tenta imprimir seu estilo (que funcionou MUITO BEM em suas outras obras menores) em praticamente toda cena. Qual o propósito de enfiar um plano-sequência no meio dessa revolta na prisão?
(planos-sequência são quando a câmera acompanha uma cena por um bom tempo, sem cortes aparentes, quase como se fosse o ponto de vista de uma pessoa observando o transcorrer da cena).
Uma cena dessa, implora por uma montagem um pouco mais frenética ou com mais cortes, justamente pela fluidez da cena. Ela precisa ser empolgante! Do jeito que ficou, ela acaba ficando monótona.

E só uma pausa para comentar algo dessa mesma cena: quando vi vários dobradores de terra fazendo movimentos sincronizados, eu pensei que eles fossem explodiar todo aquele cânion, afinal no desenho, ao somarem forças, o poder liberado pelos mesmos era monstruoso. Mas eis que vejo uma pedrinha saindo da terra, e então surge um OUTRO dobrador que é responsável por arremessar a pedra, afinal aparentemente uns 10 dobradores de terra não conseguiram tal feito. (eu os apelidei de Backstreet Benders, reparou no título do post? =D )

Enfim, sinto que escrevi demais. Existem mais falhas do que essas, mas agora vou chamar atenção para pontos positivos, afinal, o filme também não é um desastre completo.

A sequência da libertação de Aang do cativeiro pelo "espírito azul" é bem realizada. O filme contém dois excelentes atores que roubam todas as cenas. Se tratam de Dev Patel (o Jamal de Quem Quer ser um Milionário?) como príncipe Zuko e Shaun Toub como seu tio Iroh. Quando os dois aparecem em cena, o filme ganha vida e se torna mais interessante.
E a cena final, com Aang exibindo seu verdadeiro poder diante da Nação do Fogo, apesar de empalidecer terrivelmente em relação ao final simplesmente sensacional do desenho, se mantém ainda muito boa, principalmente devido a sua trilha sonora.

Eu sei que não parece, mas eu gostei bastante do filme.

O problema é compará-lo com o ótimo desenho em que ele foi baseado, que aí sim ele se mostra bem fraco. E para quem assistiu tanto ao desenho quanto ao filme, fazer tal comparação é inevitável.

É isso aí.



obs.: o 3D desse filme é totalmente inútil. Tava até para assistir sem o óculos algumas cenas. Assista em 2D, vale mais a pena.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

It's a kind of magic...

O Aprendiz de Feiticeiro. 
Novo filme estrelado por Nicolas Cage, e dirigido por Jon Turteltaulb. E além disso, produzido por Jerry Bruckheimer (o cara responsável por levar a franquia "Piratas do Caribe" para os cinemas). O trio já havia realizado os sucessos "A Lenda do Tesouro Perdido" e sua continuação.
E se dá pra ficar desconfiado ao ouvir o nome destes filmes (são divertidos, mas só isso), a surpresa é que ambos são ótimos filmes perto de O Aprendiz de Feiticeiro.
Isso significaria dizer então que Aprendiz é provavelmente um dos piores filmes da década, certo?

Não exatamente.
Sabe aquele filme, ou aquela música, que VOCÊ SABE que se trata de uma porcaria, mas você gosta mesmo assim? Poizé...
O mundo inteiro tá destruindo esse filme, dizendo que é tão ruim que dói, que chega a ofender.
Pois bem, eis que digo. DE FATO, é um filme bem ruim.
Mas eu gostei dele.

Ele começa bem ruim. Mas não é "ruim" tipo, "ah tá fraquinho, mas tudo bem".
Não, é RUIM MESMO, do tipo "porra, no que fui me meter? Por que paguei esse ingresso?"
Mas aos poucos, foi melhorando, e melhorando, e o filme atingiu um nível tão absurdo em seus conceitos, e em seus horríveis efeitos especiais, e em suas atuações canastronas, que acabou ficando bem bacana.


No melhor estilo Tela Quente, a história acompanha um jovem rapaz chamado Dave (interpretado pelo sempre carismático Jay Baruchel, mas que parece fadado a interpretar nerds para o resto da vida) que ao encontrar o poderoso feiticeiro Balthazar (interpretado sempre divertidamente canastrão Nicolas Cage) descobre ser "o escolhido" para ser O Primeiro Merliano, e lutar contra as forças do mal.
Muito original, não?
Ao menos que eu me lembre é isso. Realmente não se pensa muito na história, já que o filme foca mais no humor e nos efeitos (que como já mencionei, por vezes são tão ruins que acabam ficando bons).
Na realidade, seguindo o exemplo do meu post sobre Meu Malvado Favorito, esse filme pode ser encarado friamente e criticamente, ou você pode ir exigir nada do filme. E ele só funciona dessa forma, se cada um que for assistir chamar os amigos, desligar o cérebro e assistir sem pensar muito. Aí sim, dá pra se divertir.
No entanto se for parar para analisar friamente, você vai começar a notar as VÁRIAS falhas do filme, e vai notar que se trata de uma grande merda.

Nicolas Cage, um dos meus atores favoritos (por ter realizado os já lendários "A Rocha", "Con Air" e "A Outra Face", além  do maravilhoso "Adaptação") está o mesmo cara de sempre.
Sim, eu sou fã dele, mas realmente, em filmes de ação, Cage sempre interpreta o mesmo personagem.
Antes incomodava, agora a gente até se acostumou. Ao menos a peruca dele, dessa vez, é bem aceitável (ao contrário da pavorosa usada em O Vidente).
Espero ansioso o momento em que Nicolas Cage vai voltar a atuar em dramas, único campo em que ele REALMENTE se sai bem (ganhou um Oscar por "Despedida em Las Vegas" e foi indicado para outro pelo já mencionado "Adaptação").

E ah sim, importante mencionar que o filme contém a presença do grande ator Alfred Molina.
Esse cara é tão sensacional que somente a presença dele já dá ao filme uma maior dignidade. Pode-se dizer que ele é a melhor coisa do filme, já que ele quase sempre rouba todas cenas em que aparece.
E se digo "quase", é porque em algumas, ele tem que disputar com o divertidíssimo Toby Kebbel (o eterno Johnny Quid, de "Rocknrolla").

Então é isso. Se for pra levar os amigos, ou a namorada, ou os filhos. Enfim, se for pra levar uma galera pra assistir com você, e nenhum de vocês for particularmente exigente, ou que saiba em quais momentos ser exigente em relação a filmes, então encare o filme sem medo.
Mas se você assistir como eu, que fui sozinho ver, apenas com o objetivo de realizar racionalmente (descartei rapidamente esse objetivo após 15 minutos de filme), então assista a outro filme, pois vai se decepcionar.

Dica: "A Origem" talvez ainda esteja em cartaz.
=)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Novo já nasce velho

Post sobre uma das minhas bandas favoritas.
Aliás, na verdade é sobre o DVD dessa banda. Se trata da banda O Rappa, e seu novo DVD "Ao Vivo".
Sim, isso mesmo. Apenas "Ao Vivo". É o título. Dizia-se em dar o título "Registro", que seria interessante, mas acho que esqueceram dessa idéia. Talvez porque "Ao vivo" seja tão mais genial e criativo.


O Rappa é responsável pelo melhor show que fui na vida. Trata-se do show que a banda realizou em Belém em Janeiro de 2007 pela turnê do Acústico MTV. O que vimos era uma banda no topo de sua capacidade, apaixonada pelo próprio material (já que a animação era enorme em todos os integrantes da banda), e apaixonada por fazer shows, já que nessa época deles, um show era melhor que o outro. Esse show, ocorrido em Janeiro de 2007, foi o auge. Tocando 18 músicas, e contando com todos os instrumentos do Acústico, a banda explodiu no palco. Digamos que até músicas que eu já considerava relativamente manjadas na época conseguiram ser tocadas de forma sensacional (me lembro da versão inacreditável de "Me Deixa" e do climático início de "Pescador de Ilusões" até hoje).
Mas então o que aconteceu? A banda prosseguiu em turnê por mais um ano e depois parou para gravar seu novo CD. Se tratava de "7 vezes", de 2008, CD que os fãs aguardaram ansiosos.
Ele saiu e... e aí? Inicialmente, achei 7 Vezes muito bom. Músicas interessantes, algumas diferentes do estilo da banda (se é que a banda possua um estilo definido). Mas um grande amigo me chamou atenção para o fato de que o CD era composto apenas por músicas "coadjuvantes". Todas boas, mas nenhuma especial. De fato, não havia uma música da potência de Reza Vela, ou da energia de "Tumulto", mas apenas achei que estavam todos sendo exigentes demais, e que era um bom cd sim. Afinal todas as bandas têm altos e baixos.

Mas eis que sai esse DVD "Ao Vivo" (literalmente) e, depois de assistí-lo, me fez perceber.
A intensidade sumiu.
Tá certo que não sumiu totalmente. O show (que foi gravado na Rocinha, no RJ) contém ótimas versões de músicas mais antigas. Mas não conseguiu apagar a sensação de relativa inércia da banda no palco.
Falando já da intensidade. Que diabos aconteceu? As músicas antigas, que conheço bem ao vivo, não me deixaram ansiosos. Eu queria ver as músicas novas (embora sejam de 2008) ao vivo, já que a banda não passou pela nossa querida cidade ainda com essa turnê. E, após assistir a esse registro ao vivo, finalmente compreendi o significado de "um cd composto de músicas coadjuvantes."

São músicas boas? De fato, são. Mas quase nenhuma empolgou de fato o público (ou eu, o telespectador, que estava assistindo). Com exceção de Hóstia, que teve uma boa versão, melhor até do que a versão de estúdio, todas as outras foram bem fracas. A que chegou mais perto de empolgar foi "Monstro Invisível", mas isso porque se trata de uma música já famosa e conhecida do grande público (além de ser a melhor do 7 Vezes). "Meu Santo tá cansado" foi a maior decepção para mim. Se trata de uma música intensa no cd, empolgante, uma das minhas favoritas. Ao vivo nem parecia a mesma música. Tava esperando a porra do palco explodir com os caras pirando na hora do segundo refrão (que é o que acontece no CD), mas não aconteceu. Continuou o mesmo ritmozinho, tranquilo, até o final. "Súplica Cearense", que considerava uma música impossível de ser menos do que excelente, consegue ser apenas bacana, legal. E nem vou mencionar o absurdo de eles abrirem o show com "Meu Mundo é o Barro". É música pra meio de show, não pra abertura.

Mas se as novas decepcionaram, vejamos as antigas.

Bem, em se tratando d'O Rappa, seria impossível eles estragarem o repertório um pouco mais antigo sensacional que eles têm. Mesmo assim os caras quase conseguem a proeza em algumas músicas.
"Reza Vela" que normalmente faria todo mundo enlouquecer no show, foi apenas "muito boa". Homem Amarelo mantém sua intensidade habitual (embora o "cor da pele? foda-se!" no final já teja se tornando lugar-comum). A normalmente incrível LadoB LadoA adotou um ritmo diferente, e não me agradou muito. Mas essa até dava pra passar. O que me incomodou de verdade foi a versão de Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro. Quem me conhece sabe o quanto gosto dessa música. Esta versão, apesar de (relativamente) interessante, empalidece terrivelmente diante da versão explosiva de 11 minutos do outro registro ao vivo deles, o Instinto Coletivo. Pode-se argumentar que a banda sempre procura mudar suas músicas, para torná-las sempre atraentes. Não foi o caso. A letra da música é agressiva, ela GRITA por uma música mais pesada, e não essa batida mais ou menos que eles colocaram.
Músicas como Mar de Gente, Rodo Cotidiano e Pescador de Ilusões poderiam tirar férias do setlist pra só voltar depois. Embora seja difícil tirar Pescador, devido ao seu catártico refrão. (o mundo inteiro conhece essa música por causa desse refrão, apesar de talvez nem conhecerem o nome da música).
Porém vem O Salto (minha música favorita da banda) e lava a alma de todo mundo. Sem dúvidas, o ponto alto do show. A versão tocada foi destruidora, ainda mais porque eles colocaram de volta os sons da orquestra presentes na versão de estúdio. Isso é apenas parte mérito da banda, já que devido à inacreditável qualidade da música (repito: inacreditável), a banda teria que tá MUITO ruim para estragar essa música ao vivo.

Foi um show legal. Pra quem não conhece a banda, pode até gostar bastante. Mas para nós, fãs apaixonados, que já fomos em mais de um (mais de dois até) shows da banda, fica claro um certo desânimo. Eles podem melhorar e muito. Eu que vi o Falcão quase virar do avesso no show acústico do tanto que o cara pulava, me surpreendi com o quanto ele ficou parado cantando (apesar de se mostrar empolgado o tempo todo).

Então é isso. Show legal, mas considerando que se trata de uma gravação para um DVD ao vivo, poderia ter sido muito melhor. Eles são capazes disso, só falta eles perceberem.



domingo, 8 de agosto de 2010

"Good" is a point of view.

Gostam de animações?
Na minha opinião as animações têm sido responsáveis por alguns dos melhores filmes lançados atualmente. Vide Wall-E, Os Incríveis, Up - Altas Aventuras, todos sensacionais (e todos do mesmo estúdio, a Pixar).
Isso foi especialmente comprovado esse ano com o lançamento de Toy Story 3, que está sendo um dos melhores do ano até agora. Sim, também se trata de mais uma obra da Pixar. Na realidade, as maiores obras-prima de animação saíram desse estúdio.
Dos estúdios concorrentes, temos obras como Shrek, Madagascar, Kung Fu Panda e esse novo chamado Meu Malvado Favorito (protagonista do post de hoje, que comentarei mais adiante), que embora não sejam brilhantes e memoráveis como as obras da pixar, se mostram bastante divertidos e isso é o príncipal motivo de seu sucesso.
Essa divisão é bastante importante, pois ela influencia na maneira que pelo menos nós, apaixonados por cinema, encaramos certas animações.
Se ela for da Pixar, podemos encarar como críticos (ou seja, como chatos-pra-cacete) ou podemos encarar com o cérebro desligado, que provavelmente iremos acabar adorando o filme de qualquer maneira.
Já se ela for de estúdios concorrentes, independendo de qual seja (a Dreamworks, responsável por Shrek e Madagascar sendo o mais famoso deles) provavelmente só iremos nos satisfazer totalmente se encararmos com o cérebro desligado, ao passo que se formos críticos, vamos encontrar falhas aqui e ali.
Sendo assim, tentarei comentar a nova animação, Meu Malvado Favorito, das duas formas.

1) De forma crítca:

O filme começa de forma inteligente, com várias cenas interessantes mostrando Gru praticando atos de maldade (leves para não encomodar a criançada). No entanto, a medida que o filme vai passando, vamos percebendo que ele seguirá a mesma partilha do malvado que, conquistado pelas crianças, acaba mudando sua natureza de malvado.
No entanto, mesmo essa mudança é retratada de forma brusca, e se encontra praticamente toda em uma só cena (assista o trailer, a cena está lá), o que acaba por soar um pouco artificial demais.
Mesmo assim, o filme apresenta momentos de humor que funcionam, a maioria deles protagonizado pelo próprio personagem principal, Gru.
Já seus Minions, aqueles bichinhos amarelos, embora engraçadinhos, acabam se tornando apenas irritantes em alguns momentos.
E a referência a O Poderoso Chefão, soa meio fora de lugar, embora qualquer coisa envolvendo O Poderoso Chefão seja sempre bem-vinda.

2) Com o cérebro desligado:

Visto dessa forma, a maioria das falhas realmente não importa. O filme é suficientemente divertido e visualmente interessante para se sobrepor a todas essas deficiências. Além de que os momentos de emoção realmente funcionam (você saberá quando os vir) e acabam conquistando quem assiste. Se for assistir no cinema, assista dessa forma.

obs1.: Que fique claro que admiro bastante os críticos de cinema (ao menos a maioria deles) e que o "chato-pra-cacete" ali em cima foi apenas uma brincadeira com a forma por vezes excessivamente exigente que os mesmos encaram certos filmes. Mas nós, que somos fãs de cinema, sempre queremos dar uma crítico. Sendo assim, nos tornamos (nós mesmos) os chatos-pra-cacete.
Mas para isso, escrevo aqui a fala de Anton Ego, personagem da animação Ratatouille, também um crítico:
"Eu não gosto de comida. Eu AMO comida. Se eu não gostar do que provei, eu não engulo!"
Substitua a palavra "comida" por "filmes" e você vai entender basicamente nosso ponto de vista.

obs2.: O 3D do filme é interessante, porém não fundamental. Quem assistir em 2D vai se sentir igualmente satisfeito. Só uma pena que os realizadores pensem que só existem 3D no mundo e tenham incluido duas grandes sequencias que só funcionam bem em 3D (uma delas em uma montanha russa, e a outra acontece nos créditos finais).

sábado, 7 de agosto de 2010

An Idea...

Esse é meu segundo blog.
Antes de mais nada devo mencionar um fato importante: gosto de escrever. Muito. Outro fato importante: gosto de filmes. Também muito. Então alguns anos atrás criei um blog para postar críticas (ou pelo menos eu as considerava como tal) sobre filmes que estavam saindo na época (era em torno de 2007, me lembro de ter feito críticas para o primeiro Transformers e o filme Duro de Matar 4.0, dentre outros).
Passaram-se algumas semanas e parei de postar. Não sei bem o motivo. Não sei se a inspiração acabou. Não me lembro exatamente.
Agora, 3 anos depois, na mesma época do ano, aqui estou postando novamente. Por um motivo muito simples: um filme.
Hoje tive a oportunidade e o privilégio de conferir mais uma obra daquele diretor que é agora oficialmente meu ídolo, Christopher Nolan.  Se trata de A Origem (Inception, 2010), filme bastante comentado recentemente e considerado um dos mais esperados do ano, e agora também um sucesso comercial.


Contando com uma trama bastante complexa, o filme ganha pontos justamente por respeitar quem o assiste durante todo o momento da projeção. Ele conta com a nossa inteligência para conseguir acompanhar o desenrolar da história, sem precisar parar a cada 10 minutos para se explicar.

A trama do filme acompanha Don Cobb (Leonardo DiCaprio) e um grupo de profissionais que se especializaram em invadir o sonho de pessoas e dali extrair informações valiosas. Como acompanhamos na sequência inicial do filme, cada uma das pessoas da equipe possui uma função específica no processo (que você deverá conferir por si mesmo pra não estragar nenhuma surpresa). E ao mesmo tempo, podem existir várias "níveis" de sonho (um sonho dentro do outro), mostrando a inteligência dos roubos da equipe, que por vezes tenta fazer a vítima acreditar que já está acordada, só para depois descobrir que estava apenas dentro de outro sonho.

Eis que então, é dada à equipe liderada por DiCaprio uma nova missão: a de IMPLANTAR uma idéia na mente de uma pessoa, com o objetivo que tal pessoa realize determinado objetivo após acordar.
E a partir daí, começa uma p*ta de uma viagem pelo subconsciente.

Vale mencionar, primeiramente, que os efeitos especiais são espetaculares, principalmente por funcionarem PARA a história, e não apesar desta. A maneira como a realidade é distorcida dentro dos sonos irá deixar muita gente sem acreditar no que está vendo. E além disso, o filme utiliza o interessante conceito de que acontecimentos no mundo real podem influenciar o mundo dos sonhos, como na cena em que um sonhador que se encontra em queda livre em um sonho, acaba por eliminar a gravidade em outro sonho, ou na cena em que uma pessoa que dorme com vontade de ir ao banheiro, acaba por sonhar com uma chuva torrencial. Esse conceito abre várias oportunidades para Nolan (também autor do roteiro) realizar várias cenas que não se encaixariam em nenhum outro projeto (como na cena em que uma cidade se dobra sobre si mesma).

O elenco também, está fenômenal. A começar por DiCaprio, que já entregou outra excelente atuação esse ano no filme Ilha do Medo (Shutter Island). Ele encarna Don Cobb com tamanha naturalidade, que nem parece estar atuando. Passando por Joseph Gordon-Lewitt, um ator que gosto cada vez mais, que faz um personagem que realiza a maior parte das sequências de ação no filme (uma cena de luta em um corredor giratório envolvendo seu personagem será algo que não esquecerei tão cedo), e contando com pequenas participações, mas muito marcantes, como o personagem de Michael Caine (em seu quarto trabalho com o diretor).
Mas o grande destaque da produção é, sem dúvida, sua trama. Complexa e incrivelmente bem planejada. Vê-la se desenrolar diante de nossos olhos é uma experiência fora do normal. Havia momentos em que nem eu soube como reagir às cenas, de tão inacreditáveis (e não no sentido de "nossa, que filme mentiroso" e sim no sentido de "pqp, como esses caras fizeram isso?"). E a oportunidade de conferir o filme pela segunda vez, ou terceira vez, é nada mais do que um presente do diretor para nós, os sortudos, de poder assistir a algo assim.

Como eu disse, depois de 3 anos, um filme conseguiu me inspirar a voltar a escrever. Assim são as melhores obras de arte, aquelas que o inspiram a melhorar, a realizar alguma coisa, independente do que você esteja passando no momento. E A Origem é justamente isso. Uma obra de arte.

Não sei se dessa vez o blog vai durar. Mas independente disso, eu me sentia na obrigação de fazer um post sobre A Origem, e de chamar atenção para todas as suas qualidades.
Assista, recomende para todo mundo e assista novamente.