segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Força sempre!

Na refilmagem de 2008 do clássico "O Dia em que a Terra Parou", (na qual Keanu Reeves interpreta o alienígena Klaatu), a principal ameaça, aquilo que aterrorizava toda a humanidade, não eram os alienígenas. Pelo menos não para quem estava assistindo o filme.
O que mais aterrorizou o público foi a presença em cena de um garotinho chamado Jaden Smith (vulgo "filho do Will Smith"). Esse garoto conseguiu a façanha de arruinar TODAS AS CENAS em que aparece, e ser completamente irritante e insuportável em todas elas.
Então quando descobri que ele faria o papel principal da refilmagem de Karate Kid, imediatamente fiquei com um pé atrás. Como poderia um garoto chato desse interpretar um dos personagens mais carismáticos que o cinema já viu?

Felizmente, eu estava enganado. Com esse Karate Kid, o moleque não apenas se redime totalmente daquela atuação desastrosa, como consegue emocionar o público com seu personagem.

A história do filme é parecida com a do original. Garotinho chamado Dre se muda com a mãe para a China. Lá ele é discriminado e atacado pelos valentões locais (aquele tal de "bullying", sabe?). Eis que ele conhece o Sr. Han (que era o Sr. Myagi no original) que o ensina a lutar para se defender desses ataques, ao mesmo tempo em que o treina para lutar em um torneio.

Jaden Smith, se antes me emputecia com sua presença em qualquer filme, agora surge absolutamente real e carismático. Pois se inicialmente apresenta algumas irritações e mal humor, é apenas porque o roteiro exige que isso aconteça (afinal, deve ser difícil simplesmente se mudar para a China de uma hora para a outra, onde não se conhece nem as pessoas e nem os costumes completamente).
E é bastante comovente vê-lo tentar conter o choro na primeira surra que leva dos valentões chineses, além de provar que Smith tem talento para ser um ator dramático tão bom quanto seu pai (sim, além de um talentoso ator cômico,Will Smith provou sua capacidade como ator dramático em filmes como À Procura da Felicidade e Eu Sou a Lenda).

Outra boa surpresa do filme é justamente o já veterano Jackie Chan. Embora seja sempre carismático em todos os seus filmes, Chan raramente demonstrava seu talento para drama. E aqui, devo dizer que ele faz seu melhor trabalho. Além de óbviamente, apresentar um talento inigualável nas artes marciais, Chan se sai extremamente bem como ator, particularmente em um momento doloroso que se passa dentro de um carro com o personagem de Jaden Smith.

Vale destacar também a atuação de Taraji P. Henson, como mãe de Dre, que demonstra um amor imenso pelo seu filho, embora se mantenha rigorosa em sua educação. E é também tocante observar no momento em que a mãe chama atenção de Dre, por apresentar um olho roxo, somente para logo em seguida defendê-lo de uma pessoa que tenta insinuar que o garoto seja encrenqueiro.

E se até agora só falei da parte dramática do filme, foi porque foi o que mais me surpreendeu.
Porém, o humor presente no longe também é impecável. Desde o jeitão cansado de Jackie, passando pela empolgação ingênua de Dre, e pela carinhosa presença de uma menina que aparece como seu interesse romântico, o filme vai deixar todo mundo sorrindo por um bom tempo, ainda mais vendo o treinamento inicialmente sem sentido do Sr. Han (que, mais uma vez, se torna emocionante ao percebermos o quanto toda aquela repetição é necessária).

É então frustrante, portanto, reparar que o filme desperdiça momentos com enorme potencial no torneio de artes marciais no final do terceiro ato. Tentando empregar cortes rápidos e golpes irreais (que ainda usam efeitos especiais), nessa hora o filme perde seu impacto, o que é uma pena.
Até porque, não importa o quão estrambólico o golpe final seja (e acredite, o chute dado por Dre no final do torneio é MUITO exagerado) não chega nem aos pés da emoção de ver o Golpe da Garça finalmente ser dado com perfeição por Ralph Macchio no final do Karate Kid original, de 1984.

Mas nada disso consegue arruinar o filme como um todo. Muito pelo contrário. Apesar dessas falhas serem todas no final, ainda assim saí empolgado e feliz com o que eu tinha acabado de assistir, o que comprova a força da história do filme.

Afinal, não importa o quão manjadas e piegas sejam as velhas boas lições, elas jamais deixam de nos emocionar e inspirar.

"A vida vai nos derrubar, mas cabe a nós escolher se vamos ou não nos levantar novamente."

Um comentário:

  1. vc consegue emocionar com suas palavras
    vc tem o dom, hein!
    beijos

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