quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Brighter than a thousand suns

Toda banda tem seu álbum divisor de águas. Aquele que os fãs mais respeitam, que os críticos elogiam e usam como referência para os próximos trabalhos, e mesmo quem não é familiar com a banda ao menos já ouviu falar.
O Red Hot Chili Peppers teve o "Californication". O Nirvana teve o "Nevermind". Metallica teve o "Master of Puppets" (e posteriormente o Black Album), o Iron Maiden teve o "Powerslave" e o System of a Down teve o "Toxicity", só para citar alguns exemplos. Nenhum desses exemplos mencionados se trata de um álbum de estréia.
Pois o Linkin Park, que todos conhecem, conseguiu lançar um divisor de águas logo no seu CD de estréia, o 'Hybrid Theory", de 2000.
Na época, todo mundo ficou fã da banda. De fato, com 12 faixas, todas ótimas e grudentas, além de contar com uma curtíssima duração (tinha pouco mais de 30 min, o novo do Iron Maiden tem duas faixas a menos, mas tem 1h27min, só para comparar) o CD caiu nas graças do público, que o tornou o segundo álbum mais bem vendido da década passada (atrás apenas do álbum "1" dos Beatles) e lançou hits eternos como "In the End", "Crawling" e "One Step Closer".
O sucesso e as turnês foram tamanhas que a banda só arranjou tempo pra gravar um novo álbum 3 anos depois, lançando então o "Meteora", em 2003, outro que foi elogiado, e que obteve um sucesso colossal, (considero o Meteora o auge dos caras).

E nessa época, eu estava na época em que "odiar modinhas" era bacana. Sendo um fã de metal, como sou, assim que vi simplesmente TODO MUNDO gostando do LP, deixei de dar atenção à banda. Fazer o que, todo metaleiro tem a sua fase xiita, pode ter certeza.
Quatro anos depois disso, agora em 2007, eu já uma pessoa diferente, que já gostava de reggae, e já abria a mente para outros tipos de música sem problemas, vi que o Linkin Park havia lançado um novo álbum chamado "Minutes to Midnight". E quando ouvi, eu fui um dos poucos que gostou do CD imediatamente. Linkin Park havia definitivamente amadurecido seu som, contando músicas bem construídas como "No More Sorrow" e a sensacional "Bleed it Out" (minha favorita deles até hoje), além de algumas baladas.
Havia um viés mais político na banda também (por exemplo, o título Minutes to Midnight faz referência ao famoso Relógio da Guerra Fria, em que quanto mais próximo da meia-noite, mais próximo estaríamos de um conflito nuclear, que também serviu de referência para a clássica "2 Minutes to Midnight" do Iron Maiden).

 A banda some mais uma vez, e só reaparece esse ano com o álbum "A Thousand Suns", que tive o prazer de escutar essa semana.


À primeira ouvida, o CD soa bastante estranho. Pra começar que as guitarras estão praticamente inexistentes, coisa impensável considerando que LP se caracteriza com uma guitarra pesada em quase todas as suas músicas. Existem aqui várias vinhetas (cinco, para ser mais exato) além da primeira faixa que serve apenas de introdução. O primeiro single da banda, "The Catalyst" tem quase 6 minutos de duração, o que é muito em se tratando de Linkin Park.
Minha reação inicial foi basicamente pensar "mas que porra é essa?". Mas após uma segunda, uma terceira e até uma quarta ouvida, estou começando a desconfiar que se trata de um dos meus álbuns favorito dos caras (quase chegando perto do insuperável Meteora).
Contando com um tom um tanto apocalíptico em suas letras, o CD abraça o tema "fim do mundo" sem medo. A primeira faixa, "The Requiem" é uma introdução de 2 minutos em que uma voz distorcida feminina canta "Deus salve a todos nós/ queimaremos nas chamas de mil sóis/ pelos pecados de nossas mãos/ pelos pecados de nossa língua/ pelos pecados de nosso pai/ pelos pecados de nossos jovens", que emenda logo em seguida com a vinheta "The Radiance", que se trata do famoso discurso de Robert Oppenheimer, criador da bomba atômica (aquele do "hoje me torno Morte, tornei-me o destruidor de mundos").

Além do mais devo chamar atenção para esse detalhe. As faixas não estão separadas, elas se fundem umas com as outras. No final de uma, já estamos ouvindo a introdução da próxima. Portanto, A Thousand Suns é um ÁLBUM que deve ser conferido na íntegra, pois suas faixas separadas perdem bastante do seu impacto.

A primeira música de verdade é a terceira faixa, "Burning in the Skies". Aí se espera que ela exploda num som insurdecedor de guitarras e berros do Chester Bennington (vocalista), certo? Pois a banda toma exatamente o caminho inverso e inicia com uma balada. Com letras apocalípticas, sim, mas ainda assim uma balada, com aquele relativamente manjado, porém verdadeiro, tema da humanidade responsável pela própria destruição ("estou nadando na fumaça das pontes que queimei/ (...) estou perdendo aquilo que não mereço").

Outra característica interessante aqui é que as vozes do Chester e do Mike por vezes se misturam e não dá pra saber quem tá cantando. Mike, que antes cantava só a parte rap das músicas, agora aprendeu a cantar bem e rivaliza até mesmo com o seu parceiro vocalista em faixas como a sensacional (e melhor do CD) "The Catalyst". E só sei que ele canta boa parte dessa música porque vi no clipe oficial lançado, já que as vozes estão por vezes difíceis de distinguir.

Muito gente vai torcer o nariz para esse CD, e com motivo. A banda dá uma mudada considerável em seu estilo, e além disso, se trata de um disco particularmente difícil de escutar. Exige, sem dúvida, mais de uma escutada. Já que mesmo após eu ter ouvido umas 5 vezes o CD inteiro, ainda assim encontro coisas novas que não tinha percebido. É justamente por isso que considero esse o trabalho mais corajoso e interessante do Linkin Park, além de que como eu disse, provavelmente se tornará um dos meus favoritos em breve.

Eu fico muito feliz por essa banda, que considerei apenas uma modinha a 7 anos atrás, se apresentar hoje como uma das bandas mais interessantes e relevantes do (infelizmente) decadente meio musical atual.
Parabéns pros caras. Que venha outro ainda melhor que esse.

Valeu!

obs.: o título do cd, "A Thousand Suns", vem de um texto hindú, que Robert Oppenheimer citou, e tornou famoso, ao descrever a bomba atômica:
"Se a radiação de mil sóis explodisse ao mesmo tempo pelos céus, seria como o esplendor do Todo Poderoso."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dead Men Walking

Conhecem a definição de um "filme cara-de-pau"?
Se conhecem, vão perceber que os três primeiros (e agora esse quarto) Resident Evil se encaixam perfeitamente nessa categoria. Todos ruins, mas todos tão divertidos em sua ruindade, em sua palhaçada, que acabam fazendo todo mundo assistir o próximo que sai, mesmo assim. O primeiro foi esculachado quando saiu (inclusive por mim), e até hoje já revi aquele filme várias e várias vezes. Mesma coisa com o (péssimo) segundo e com o terceiro.

Agora, eis que sai mais um capítulo da divertida série, agora com a novidade de ser em 3D, e com o retorno do diretor do primeiro filme, Paul W.S. Anderson (que apesar de só ter dirigido aquele, escreveu o roteiro de todos os outros, inclusive desse quarto).   



Só que dessa vez, o 3D não tá aqui só de enfeite. Ele tem um propósito para estar ali.
Antes de assistir ao filme, comentei com uma amiga que provavelmente não veria nada demais nesse 3D, já que os outros filmes que assisti no formato funcionavam até bem melhor sem a tecnologia, sem mencionar que chegava a dar dor de cabeça de assistir.
Pois agora, eu alegremente retiro o que eu disse, já que esse provavelmente foi o melhor uso de 3D que vi no cinema até agora.

Ao contrário do que acontecia em O Último Mestre do Ar, que foi convertido para o 3D de última hora, esse Resident Evil foi pensado desde o começo (e filmado) no formato, assim como Avatar foi.  E isso fica evidente na tela, já que o 3D é realmente sensacional. Aliás é tão sensacional que dá até pra esquecer os absurdos que vemos na tela. (como na inacreditável e hilária cena em que um personagem chuta um imenso caco de vidro em direção a um cachorro. Você vai entender quando assistir).   

A história segue exatamente de onde acabou o terceiro filme, com Alice acordando os seus clones e rumando em direção à central da Umbrella Corporation (responsável por o soltar o T-Virus que dizimou grande parte do planeta). Na realidade, é difícil detalhar a trama sem entregar uma ou outra surpresa, então basicamente, você terá que se contentar com essa sinopse canalha mesmo. =D

Como é costume nas produções envolvendo a série, os efeitos não tão lá essas coisas (embora estejam bem melhores aqui do que em qualquer um dos três filmes anteriores), e o diretor parece estar simplesmente maravilhado com os efeitos 3D que conseguiu capturar  com suas câmeras.
Sério, quase metade do filme está em câmera lenta, com chuva caindo, ou balas voando, personagens dando piruetas. Funciona uma hora ou outra, mas eventualmente acaba ficando só hilário e sem propósito.
A cena inicial, na chuva, por exemplo. Belíssima de se ver, mas sem motivo algum. Afinal é todo um suspense para um fato totalmente comum em todos os filmes. Ou a cena da colisão de um helicóptero contra uma montanha logo no começo, em que a cena congela no momento da colisão somente para acompanhar seus passageiros no ar dentro da nave. É realmente uma cena linda e cristalina, mas não serve pra porra nenhuma.
E já que falei quase o tempo todo do 3D até agora, vale avisar logo que sem essa tecnologia, esse filme não é NADA. As três dimensões aqui não aumentaram a experiência do filme, elas SÃO a experiência completa. Acompanhar a luta contra entre Alice, Claire e o Executioner (o monstro grandalhão de 2 metros e meio com o machado grande do cacete) dentro de uma sala com água caindo por todos os lados é maravilhosa em três dimensões, mas a experiência provavelmente será praticamente nula no 2D, já que mais uma vez a cena é atolada de câmera lenta, e com respingos e a arma do monstro voando em sua direção.

Milla Jovovich, a atriz principal.
Que dizer dela? Além de estar aqui linda como sempre, ela ainda se mostra completamente confortável e natural no papel da Alice. Ela realmente convence como uma mulher durona, capaz de eliminar vários inimigos sem dificuldade, sem precisar parecer arrogante ou exagerar na expressão de raiva. Aliás, Milla permanece absolutamente carismática mesmo quando tá metendo tiro na cabeça de dezenas de zumbis.
É interessante notar também como ela mantém a voz rouca na primeira metade do filme (natural, pois sua personagem acabara de passar muito tempo sem falar nada, apenas buscando seus amigos), porém se não me engano ela mantém essa rouquidão até o final, então não sei se essa sacada dela foi intencional.

Esse é um filme que é simplesmente à prova de críticas, já que ele jamais se propõe a ser mais do que ele é.
Muito pelo contrário. Como eu disse antes, ele abraça desde o começo sua natureza de canalha.
Se trata, portanto, de um filme honesto em suas intenções, coisa que poucos filmes são hoje em dia.

A sessão em que eu e alguns amigos assistimos tava lotada, com o público caindo na gargalhada o tempo todo. É exatamente assim que esse filme tem que ser assistido.
Acredite, fica bem mais bacana.

Valeu!

Obs.: foi realmente bacana ouvir a música "The Outsider", do A Perfect Circle, no filme. Mesmo tando remixada. Além de ser uma das minhas bandas favoritas, essa é uma de suas melhores músicas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Crucify the ego, before it's far too late"

Hora de outro post pessoal, apesar de ter prometido não fazer mais isso.
Mas como nossa vida está em constante transformação e movimento, não dá pra cumprir esse tipo de promessa, não é mesmo?

Pois bem, em dados momentos, quando nossa auto-estima está ameaçada, recorremos a arrogância para nos sustentar. Ou seja, quando a gente começa a se sentir pra baixo por causa de outra pessoa, começamos a ser arrogantes, talvez até na esperança de nos iludirmos, pensando "sou uma pessoa melhor do que fulano, nem vou ficar me preocupando com isso" ou algo assim.
As vezes recorremos a atitudes radicais como parar de falar de vez com a pessoa (as vezes mantendo aquela esperança de que a pessoa corra atrás da gente novamente).
Eu já cometi esses erros, até mais de uma vez, e acho que tá na hora de parar com isso.

Nessas horas, que sentimos que simplesmente não vamos conseguir o que queremos, é muito fácil passar a utilizar a filosofia do "ligar o foda-se e ser feliz". Até parece mesmo uma idéia genial.
Mas não é, nem de longe.
Afinal de contas, se ligamos o "foda-se" então teoricamente não nos importamos mais com nada que aconteça, certo? Nem com mais ninguém. Mas se não nos importamos como eles, isso dá a eles o direito de REALMENTE não se importarem, de fato, conosco. Afinal o que fizemos para merecer a atenção deles?

Ninguém ganha vários amigos simplesmente por existir. Tudo se cultiva, tudo se busca. (se você é adepto do "não corro atrás de ninguém" então lhe peço para parar de ler agora e fechar essa página.)
O "buscar" não está no sentido de sair numa busca, de fato, mas no sentido de procurar ser uma pessoa amigável para todos que você conhece. Todo mundo gosta de pessoas bacanas, que se mostram bem-humoradas até nas horas mais complicadas. E é permanecendo assim que você começa a ganhar amigos de verdade, que são algumas das pessoas mais importantes da nossa vida. É assim também que você desperta o interesse de algum parceiro ou parceira, podendo se envolver e desenvolver um relacionamento saudável daí.

Mas o ponto que quero chegar é: NINGUÉM consegue ser agradável quando se é ao mesmo tempo arrogante. Não precisa cumprir todo estereótipo de arrogante. Basta por exemplo, você pensar que é um pouquinho melhor que outra pessoa, e que as bobagens dela não merecem atenção.
Pronto, você é uma pessoa arrogante. (É sim!!)
Mas não fique muito puto, porque eu também sou assim. Todos são assim. Todos, uma hora ou outra, se consideram bons demais para entender outra pessoa, ou importantes demais para ter seu orgulho completamente ferido e suas vontades completamente frustradas.
E se nós, resolvemos por algum motivo, assumir essa natureza de arrogantes, não iremos cultivar porra nenhuma. Nada mesmo. Zero.

Hora, se todo conhecimento que pensamos ser nosso veio de fora, se nossas idéias são formadas a partir de coisas que observamos, que analisamos, que entendemos, porém ainda assim coisas DE FORA, significa que nada do que sabemos, nada do que aprendemos, nenhum dos valores que julgamos ter, é nosso de verdade. Apenas refletimos de volta aquilo que aprendemos no decorrer da nossa vida.
De que adianta então nos consideramos superiores a alguém, se não fomos totalmente responsáveis nem mesmo pelos nossos valores, pelos nossos modos?
Não existe motivo lógico então, para ser arrogante do jeito que nós somos. Não existe propósito em tentar diminuir uma pessoa, e puní-la, na imbecil intenção de nos sentirmos melhor.
Esse rancor, essa falsa superioridade, só nos deixa cegos para a verdadeira questão: sem ninguém, nós não somos merda nenhuma. Ninguém aprende sozinho, ninguém é feliz sozinho!

Então devemos buscar estar perto das pessoas, buscar ser agradável, nos enxergar como iguais. E se alguma pessoa não quiser você, seja por qual for o motivo, aguente firme. Só podemos tentar controlar os nossos sentimentos, não podemos exigir o mesmo dos outros. Então aguente firme, e siga em frente. Não tente se vingar, evite se emputecer com isso. Não se sabe o papel que essa pessoa terá em sua vida futuramente.
Quando você se mostra calmo e humilde, as pessoas QUEREM gostar de você. Então não ceda ao descontrole, à arrogância, senão daqui a pouco ninguém vai te levar a sério de verdade.

Vamos buscar e cultivar pessoas agradáveis a nossa volta, SENDO agradável para com elas também.
Interessante forma de proporcionar felicidade: fazer alguém feliz, exatamente por estar feliz.

=D

Valeu!

sábado, 11 de setembro de 2010

Cold as the Cold Wind Blows

Eu não sou o maior fã de rap que existe, mas se tem um rapper que sou fã de verdade, esse é Eminem.
E isso desde que ganhei o CD The Eminem Show de presente de aniversário lá em 2003 (e ele tá até hoje inteiraço) e que escutei zilhões de vezes. Depois descobri que se tratava de seu terceiro trabalho de estúdio.
Os dois primeiros, The Slim Shady LP (de 1999) e The Marshall Mathers LP (de 2000) , consegui comprar tempos depois. Os dois ácidos, bem-humorados, polêmicos e geniais em todas as suas músicas.
Seu trabalho seguinte ao The Eminem Show,  "Encore", de 2004, antecipado pra cacete, devido a uma adoração quase religiosa que alguns fãs tinham, acabou sendo visto como decepção. Não concordo. Apesar das letras serem até bem fracas se comparadas aos trabalhos anteriores, algumas músicas ainda agradaram bastante.
Depois de um longo hiato, o cara finalmente lançou "Relapse" ano passado. Esse sim, uma certa decepção pra todo mundo, já que quase nenhuma música chamou realmente atenção (exceto "Beautiful", que é ótima).
Eminem tinha acabado de sair do fundo do poço em seu vício nas drogas, além de ter enfrentado a morte de seu amigo desde tempos da adolescência, Proof. Então, talvez sua cabeça não tivesse no melhor lugar.

Nesse ano, sairia uma continuação (Relapse 2, portanto). Só que no processo de gravação, Eminem viu uma mudança radical tanto nas letras quanto no som e decidiu que o CD não tinha mais nada a ver com Relapse, e foi entitulado "Recovery", principal motivo desse post.

Já desestimulado pela decepção que foi Relapse, inicialmente nem dei atenção para esse álbum. Porém aos poucos, começaram a sair os primeiros singles e aos poucos começaram a fazer um grande sucesso. Então me chamaram atenção.
O primeiro, "Not Afraid" tem um refrão grudento pra cacete. Além de ser um sincero pedido de desculpas de Eminem para os fãs, pela decepção que ele tem sido. Desculpas aceitas, sem dúvida, já que Not Afraid já era melhor que o álbum "Relapse" inteirinho e melhor que boa parte de Encore de 2004)

O segundo single, "Love the Way You Lie" com a participação de Rihanna tá nesse momento tocando em tudo que é lugar. E todo mundo gosta dessa música. Você mesmo já a escutou ao menos uma vez hoje, talvez nem saiba. Se Not Afraid tinha um refrão grudento, essa nem se fala.

E hoje, ao encontrar o Recovery com um baita desconto, resolvi comprar (sim, as vezes ainda compro CD, não sou o maior fã dos iPods da vida) e me surpreendi por se tratar, de fato, de um CD do car*lho.
Tá certo que a maior parte das letras se trata de Eminem xingando a tudo e a todos. Se você pensava que ele tava puto nos primeiros CDs, pense de novo. Aqui, o cara consegue ser mais agressivo do que nunca. Isso nem sempre é bom (como na música "Won't Back Down", com a participação de Pink, que acaba soando sem propósito), porém as vezes fica ótimo, (como na explosiva "Cold Wind Blows" que abre o disco).
"Cinderella Man" é uma das melhores, e tem a maior cara de música que vai fechar os shows na turnê desse disco. Bom exemplo de música que não tem um refrão grudento, justamente pela música inteira ser grudenta, e quando você percebe, já a escutou várias vezes.
"You're Never Over", que fecha o disco, é uma música dedicada ao seu falecido amigo Proof. Apesar de soar agressiva demais, ela consegue emocionar no final, já que Eminem realmente parece estar à beira de se debulhar em lágrimas no meio de sua agressividade.

Porém aquela que na minha opinião é a melhor música do CD, é logo a segunda do álbum e se chama "Talking 2 Myself".  Cara, devo ter escutado umas 20 vezes seguidas essa música.
Com um refrão SENSACIONAL (principalmente pela sua sonoridade) e com a melhor letra do álbum, a música se aproxima da fodalidade suprema que foi The Eminem Show (em termos de qualidade apenas, já que é bem diferente de tudo naquele CD).
Nessa música Eminem direciona toda sua raiva para si mesmo, botando às claras o quanto se arrepende de toda merda que fez nos últimos anos, além dos Cds apenas medianos que lançou, e fala que decidiu deixar de frescura e melhorar de vez sua vida. E de fato, com essa música ao menos em termos de qualidade, ele se superou.
É uma pena que provavelmente essa música não faça tanto sucesso quanto as outras (nada contra as outras que tão explodindo nas rádios, as duas são ótimas). Mas dêem atenção a essa música genial, pois ela merece.

Recovery não é um CD totalmente bom. Contém algumas músicas mais fracas, mas aquelas que são boas, realmente compensam no final. Resta esperar que Eminem permaneça nesse caminho, já que agora que o cara tá sóbrio de novo, seu próximo CD pode acabar sendo um dos seus melhores trabalhos.

Valeu
=)

domingo, 5 de setembro de 2010

Você já imaginou vida depois de vida?

Em Abril desse ano, foi lançado nos cinemas um filme (ótimo, por sinal) sobre Chico Xavier.
Apesar de um filme feito muito mais para a população adepta da religião espírita (e faço parte dessa população, sou espírita), o longa de Daniel Filho conseguiu superar tais barreiras de religião, de crença, e acabou se tornando um filme para todos (apesar do ceticismo de muitos se manter acerca da iluminada figura do Chico).
Pois bem, eu sei que é um saco quando alguém tenta empurrar suas crenças para as outras pessoas. E sabendo que esse Nosso Lar, que saiu esse mês, é um filme muito mais voltado para a população espírita do que o longa "Chico Xavier" foi, vou evitar qualquer opinião sobre minha religião ou sobre outras religiões, já que esse claramente é um assunto pessoal, e CADA UM TEM O DIREITO de ter fé no que escolher.

Pois bem, o longa conta a história do médico André Luiz (meu xará) após sua morte, no mundo espiritual. Inicialmente indo parar na sombria e monstruosa relidade do Umbral, devido aos seus vícios e modos durante a vida, André é levado à colônia espiritual chamada Nosso Lar, após anos de provação.
Lá ele conhece companheiros, reencontra familiares a muito tempo perdidos e acaba por aprender muito mais sobre si mesmo e sobre o Universo do que esperava.
Tudo isso é descrito no livro "Nosso Lar", escrito por André e psicografado por Chico Xavier.

Quem leu esse livro (ou ao menos parte dele) sabe que, além do linguajar mais difícil, o livro apresenta um texto claramente descritivo.
Grande parte dele se trata de André descrevendo o que vê na colônia de Nosso Lar, além de seus aprendizados e conversas inspiradoras que tem com os indivíduos que lá residem.

E assim também é o filme.

Desde o começo, com André acordando no Umbral, ouvimos sua narração, contando o que sentia, o que observava. Se inicialmente isso tira um pouco do impacto, já que as imagens de sofrimento e dor no Umbral dispensam qualquer tipo de narração, posterioramente ela se torna necessária e até parte importante da história, já que existem muitos detalhes importantes sobre cada particularidade da colônia que não podem ser compreendidos apenas com a imagem.

Nosso Lar chega também como um dos filmes nacionais mais caros já feitos (custou R$ 20 milhões) e isso é sentido na tela.
Os efeitos são ótimos, mesmo para o padrão internacional. As imagens das almas circulando o planeta Terra durante a Segunda Guerra Mundial é sensacional. E a imensa montanha que sustenta a colônia Nosso Lar no seu topo me chamou atenção desde o trailer.
A trilha sonora do americano Philip Glass também é destaque, principalmente nas cenas envolvendo o Umbral.
As atuações são muito boas, embora soem teatrais demais em alguns momentos (o ator que interpreta André, Renato Prieto, é um ator de teatro e esse é um de seus primeiros trabalhos no cinema).

Esse será um filme menos querido do que "Chico Xavier", já que conta com um tom muito mais voltado à crença espírita. Ou seja, é um filme menos universal que o filme sobre o médium.
Além de que seu tom de constante explicação vai acabar por desagradar algumas pessoas. Embora talvez não pudesse ter sido feito de outra forma. (na realidade, o filme até achou um meio de contornar as várias explicações do livro, simplificando-as ou apenas mantenando as mais importantes).

Mesmo assim, Nosso Lar representa um marco no cinema nacional, pelos seus aspectos técnicos, que de fato são impecáveis, e serão a parte mais comentada do longa pelo público.

E fico realmente muito feliz, de uma obra complexa como Nosso Lar ter sido tão bem adaptada e feita com tanto carinho para o cinema. Que venham outras adaptações, tão boas quanto essa. Nem precisando necessariamente ser de obras espíritas, mas de obras que possam nos inspirar a nos melhorar, a amar uns aos outros. Afinal, talvez esses sejam nossos propósitos mais claros nessa vida.
E cinema também se beneficiaria de tais histórias, pois como diz um dos personagens do filme:
"O mundo precisa de histórias felizes!"


Muito obrigado por ter lido, ou apenas pela breve atenção.

=)