Se conhecem, vão perceber que os três primeiros (e agora esse quarto) Resident Evil se encaixam perfeitamente nessa categoria. Todos ruins, mas todos tão divertidos em sua ruindade, em sua palhaçada, que acabam fazendo todo mundo assistir o próximo que sai, mesmo assim. O primeiro foi esculachado quando saiu (inclusive por mim), e até hoje já revi aquele filme várias e várias vezes. Mesma coisa com o (péssimo) segundo e com o terceiro.
Agora, eis que sai mais um capítulo da divertida série, agora com a novidade de ser em 3D, e com o retorno do diretor do primeiro filme, Paul W.S. Anderson (que apesar de só ter dirigido aquele, escreveu o roteiro de todos os outros, inclusive desse quarto).
Antes de assistir ao filme, comentei com uma amiga que provavelmente não veria nada demais nesse 3D, já que os outros filmes que assisti no formato funcionavam até bem melhor sem a tecnologia, sem mencionar que chegava a dar dor de cabeça de assistir.
Pois agora, eu alegremente retiro o que eu disse, já que esse provavelmente foi o melhor uso de 3D que vi no cinema até agora.
Ao contrário do que acontecia em O Último Mestre do Ar, que foi convertido para o 3D de última hora, esse Resident Evil foi pensado desde o começo (e filmado) no formato, assim como Avatar foi. E isso fica evidente na tela, já que o 3D é realmente sensacional. Aliás é tão sensacional que dá até pra esquecer os absurdos que vemos na tela. (como na inacreditável e hilária cena em que um personagem chuta um imenso caco de vidro em direção a um cachorro. Você vai entender quando assistir).
A história segue exatamente de onde acabou o terceiro filme, com Alice acordando os seus clones e rumando em direção à central da Umbrella Corporation (responsável por o soltar o T-Virus que dizimou grande parte do planeta). Na realidade, é difícil detalhar a trama sem entregar uma ou outra surpresa, então basicamente, você terá que se contentar com essa sinopse canalha mesmo. =D
Como é costume nas produções envolvendo a série, os efeitos não tão lá essas coisas (embora estejam bem melhores aqui do que em qualquer um dos três filmes anteriores), e o diretor parece estar simplesmente maravilhado com os efeitos 3D que conseguiu capturar com suas câmeras.
Sério, quase metade do filme está em câmera lenta, com chuva caindo, ou balas voando, personagens dando piruetas. Funciona uma hora ou outra, mas eventualmente acaba ficando só hilário e sem propósito.
A cena inicial, na chuva, por exemplo. Belíssima de se ver, mas sem motivo algum. Afinal é todo um suspense para um fato totalmente comum em todos os filmes. Ou a cena da colisão de um helicóptero contra uma montanha logo no começo, em que a cena congela no momento da colisão somente para acompanhar seus passageiros no ar dentro da nave. É realmente uma cena linda e cristalina, mas não serve pra porra nenhuma.
E já que falei quase o tempo todo do 3D até agora, vale avisar logo que sem essa tecnologia, esse filme não é NADA. As três dimensões aqui não aumentaram a experiência do filme, elas SÃO a experiência completa. Acompanhar a luta contra entre Alice, Claire e o Executioner (o monstro grandalhão de 2 metros e meio com o machado grande do cacete) dentro de uma sala com água caindo por todos os lados é maravilhosa em três dimensões, mas a experiência provavelmente será praticamente nula no 2D, já que mais uma vez a cena é atolada de câmera lenta, e com respingos e a arma do monstro voando em sua direção.
Milla Jovovich, a atriz principal.
Que dizer dela? Além de estar aqui linda como sempre, ela ainda se mostra completamente confortável e natural no papel da Alice. Ela realmente convence como uma mulher durona, capaz de eliminar vários inimigos sem dificuldade, sem precisar parecer arrogante ou exagerar na expressão de raiva. Aliás, Milla permanece absolutamente carismática mesmo quando tá metendo tiro na cabeça de dezenas de zumbis.
É interessante notar também como ela mantém a voz rouca na primeira metade do filme (natural, pois sua personagem acabara de passar muito tempo sem falar nada, apenas buscando seus amigos), porém se não me engano ela mantém essa rouquidão até o final, então não sei se essa sacada dela foi intencional.
Esse é um filme que é simplesmente à prova de críticas, já que ele jamais se propõe a ser mais do que ele é.
Muito pelo contrário. Como eu disse antes, ele abraça desde o começo sua natureza de canalha.
Se trata, portanto, de um filme honesto em suas intenções, coisa que poucos filmes são hoje em dia.
A sessão em que eu e alguns amigos assistimos tava lotada, com o público caindo na gargalhada o tempo todo. É exatamente assim que esse filme tem que ser assistido.
Acredite, fica bem mais bacana.
Valeu!
Obs.: foi realmente bacana ouvir a música "The Outsider", do A Perfect Circle, no filme. Mesmo tando remixada. Além de ser uma das minhas bandas favoritas, essa é uma de suas melhores músicas.


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