domingo, 25 de dezembro de 2011

"Music is very porreta!"

Hoje vou falar sobre música, já que foi basicamente o que fiz hoje o dia inteiro.
Embora eu seja perdidamente apaixonado por música (ou talvez por causa disso), sou ao mesmo tempo bastante chato em relação a esse assunto. Na realidade, eu peco por não ter a mente muito aberta a certas bandas, bandas essas que sempre acabam me surpreendendo e me fazendo retirar tudo que havia dito anteriormente.
Uma dessas é Pearl Jam, que eu por algum motivo não-inteligente me recusava a ouvir. Até que forçadamente acabei escutando Jeremy, provavelmente a música mais famosa deles, e agora não escuto outra coisa senão esses caras nas últimas duas semanas.
A minha mais recente treta era com a tal da Adele. Chegava até a ficar com pavio curto quando alguém vinha mencionar a moça. Achava que era apenas mais uma das artistas de momento, que logo iria sumir. Afinal, nós somos dosados anualmente com várias e várias dessas. Mas hoje, entediado, mudando de canal na TV, eis que paro em um em que estava passando o novo DVD da moça na íntegra.
E que droga, tenho que confessar. A moça arrebentou com tudo.

Eu li uma das críticas do show, e um indivíduo lá (que infelizmente não me recordo o nome), disse que por vezes esquecia que estava assistindo apenas um DVD já que ele se pegava aplaudindo Adele após algumas músicas. Foi a mesma sensação que eu tive.

Eu gostei muito de ver uma artista se entregando tão profundamente em sua performance (coisa que nós roqueiros já estamos acostumados a ver com muitas de nossas bandas), e principalmente, fazê-lo sem nenhuma frescura. Ela não precisa de espetáculos visuais, de várias roupas extravagantes, de apelo sexual descarado. Nada disso. É a moça cantando e só, e ela consegue fazer um show intenso e tocante. E vê-la chorando após "Someone Like You" (que está tocando em TODO lugar o tempo todo) só me fez admirá-la ainda mais. Só me fez pensar que ela é uma pessoa linda e um ser humano adorável, só espero que eu não esteja enganado.



Mas o que me deixou mais feliz, foi quando fui pesquisar mais sobre a mulher depois do show, e que vi que esse novo CD dela, o "21" é um estrondoso fenômeno de vendas. Sim, contrariando o tenebroso caminho que a humanidade está seguindo, de parar de ouvir os álbuns e começar a ouvir apenas faixas separadas pela internet, esse disco ultrapassou a barreira dos 13 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Isso é de assombrar, já que qualquer um pode consegui-lo na íntegra facilmente, e nem pagar nada por isso. Querem uma comparação? O disco mais vendido de 2010 foi o "Recovery" do Eminem (de quem sou fã, e cujo CD comentei neste mesmo blog), com 5,7 milhões de cópias no mundo inteiro. Menos da metade do que o "21".

Eu sou um ávido admirador de CDs. Não da tecnologia, mas da idéia de pegar um álbum de uma banda ou artista que gostamos, e ouví-lo do começo ao fim. Existem alguns desses álbuns que foram construídos em cima dessa idéia. Como o "Seventh Son of a Seventh Son" do Iron Maiden (todas as faixas giram em torno da lenda do nascimento do sétimo filho do sétimo filho, que teria poderes sobrenaturais) ou o "The Downward Spiral" do Nine Inch Nails (que seguem o rumo de um indivíduo que lentamente abre mão de tudo em sua vida, até atingir um ponto sem retorno nas faixas finais). São os chamados "álbuns conceituais", e eu os considero geniais, apenas por serem assim. Esses dois álbuns mencionados foram um estrondoso sucesso em suas próprias épocas. O do Iron Maiden, lançado em 88, explodiu muito mais no Reino Unido, terra natal da banda. E o do Nine Inch Nails, praticamente desconhecido no Brasil, chegou a vender 5 milhões de cópias só nos EUA, ainda mais seguindo a devastadora performance da banda no Woodstock de 94. Porém, com o avanço das tecnologias, o conceito de ouvir um CD do início ao fim foi morrendo. E aos poucos sendo substituído por Ipods e semelhantes. E assim, os álbuns pararam de vender. Os grandes fenômenos da música, como foi Nirvana com os 30 milhões de cópias vendidas do "Nevermind", ou como foi o Linkin Park com os 24 milhões do "Hybrid Theory", ou o próprio Michael Jackson com os mais de 100 milhões vendidos de "Thriller" estavam destinados ao esquecimento.

Eis que surge Adelle, e em menos de um ano, o álbum da moça alcança a marca de 13 milhões. Sei que pareço estar falando apenas em dinheiro, e em sucesso. E é verdade que para a qualidade musical, isso pouco significa. Mas estou falando de mais do que isso. Estou falando de várias pessoas, milhões no mundo inteiro, realmente parando e sentando para ouvir música, que é uma das grandes maravilhas da humanidade. É isso que considero tão apaixonante ao verificar esses grandes fenômenos. Afinal, poucos se lembram do "In Utero", que considero o melhor álbum do Nirvana. Mas todo mundo sabe qual é o "Nevermind", bem como conhecem praticamente metade do CD de cor. (Pensa que não? Sabe todas as músicas que você, não-fã de Nirvana, conhece da banda? Poizé, são todas desse álbum).

Se trata de uma banda ou artista, criando um legado, que de certa forma uniu várias pessoas, que pararam para prestar atenção. Futuramente, comentarão a respeito, assim como comentam de várias obras que já passaram. Comentarão a respeito de músicas que marcaram época, que os tocaram de alguma forma, que significam algo para eles.

O estrondoso sucesso de Adele apenas serve como esperança, de que a época em que a música ainda tinha a capacidade de ser apaixonante, de ser mágica, de significar algo para muitas pessoas, ainda não morreu. E felizmente, o sucesso veio para um artista tão talentosa quanto essa mulher. (Embora Lady Gaga também represente um pouco dessa esperança. "Born This Way" dela, lançado esse ano, vendeu 8 milhões de cópias, que antes do rolo compressor que foi "21", era considerado um mega-sucesso).

Só é uma pena, que nenhum desses grandes sucessos tenham sido de bandas do bom e velho rock, pelo qual sou perdidamente apaixonado. Afinal, Coldplay e Red Hot Chili Peppers lançaram álbuns esse ano também. Mas e aí?
Coldplay ainda teve seu lugar ao sol, já que as músicas "Every Teardrop is a Waterfall" e "Paradise" foram um bom sucesso, e a banda teve uma épica apresentação no Rock in Rio esse ano. Mas as pessoas baixaram essas músicas pela internet e ficou por isso mesmo. Não que o Mylo Xyloto do Coldplay seja um álbum espetacular, pois não é (nele, o Coldplay é apenas Coldplay. E foi provado que são muito bons em ser Coldplay. Mas também são muito bons quando tentam coisas novas, "Violet Hill" está aí pra provar. Então por que não fazê-lo com mais frequencia?). O CD não chegou nem perto do alvoroço que foi o A Rush of Blood to the Head (que o mundo inteiro conhece 70% de cor).

Já o Red Hot não conseguiu nem isso, nem mesmo com sua apresentação no Rock in Rio. O que é uma pena, já que lançaram um bom CD. Talvez porque padeça do mesmo problema do Mylo Xyloto. Acabaram fazendo apenas mais do mesmo, como se esse novo trabalho fossem apenas faixas para encher setlist. Quando será que eles vão criar algo como Californication de novo? Praticamente todas as música daquele álbum se tornaram fenômenos naquela época. E eles fizeram de novo em 2002, com By the Way.


Talvez a geração tenha mudado, talvez a nova geração não curta muito o bom e velho rock. Mas nunca se sabe. Antes da explosão do rock em 99, com bandas como Limp Bizkit, The Offspring, Red Hot Chili Peppers, Slipknot, Blink 182, dentre outras, o cenário musical era dominado pelo pop com os Backstreet Boys e a Britney Spears (que vendeu inacreditáveis 26 milhões de cópias com seu "Baby one More time").

Será que o rock está prestes a retornar? E com força total?
Não custa nada sonhar!


Valeu!
Pra quem teve a paciência de ler, muito obrigado mesmo!

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