sábado, 23 de outubro de 2010

Uma atividade, embora paranormal.

Alguns posts abaixo, eu comentei rapidamente sobre o poder da sugestão no filme Sinais, do M. Night Shyamalan. Sobre como todo mundo ficou apavorado com os alienígenas embora não víssemos praticamente alienígena nenhum na tela. Sobre como sombras se movendo, ou ruídos eram o suficiente para fazer qualquer um tapar os olhos de medo.
Pois bem, qualquer um que assista um número considerável de filmes de terror sabe que os mais assustadores são os que apresentam justamente essa característica. É banal vermos um fantasma ou monstro fazendo picadinho de alguém. Escroto mesmo, é não sabermos o que aconteceu com esse alguém, permitindo então que interpretemos com a nossa própria imaginação, que por vezes chega a ser mais sombria do que pensávamos. Assim são filmes como Sinais, O Sexto Sentido (ambos do M. Night Shyamalan), A Bruxa de Blair e Os Outros.

Ano passado, um filme me deixou muito feliz (e assustado ao mesmo tempo) de utilizar de forma magistral essa técnica. Se trata do já clássico Atividade Paranormal.
Planejado de forma inteligente, o filme deixa o público se acostumar com o silêncio das cenas noturnas, só pra pegá-lo totalmente desprevenido depois, quando objetos começam a voar, portas batem, retratos se quebram, e pessoas são arrastadas de suas camas. E sempre sem mostrar totalmente O QUE está causando tudo aquilo, o público fica num clima quase insuportável de tensão, já que por já ter presenciado os acontecimentos nas outras noites, ficamos livres então para ficar imaginando constantemente o que acontecerá em seguida, e como eu disse, as vezes a nossa imaginação consegue ser macabra.
E não bastando isso, o filme por vezes SUPERAVA nossas expectativas (como na cena final, que fez o cinema inteiro pular de susto ao mesmo tempo).

E esse ano chega a esperada continuação. "Esperada" no sentido de "é claro que os bacanas lá iriam querer ganhar um pouco mais de grana e então fizeram mais um filme".
Pois embora esse tenha sido o motivo inicial para a continuação, a verdade é que o filme é uma agradável surpresa, por jamais parecer uma desculpa para ganhar dinheiro. Muito pelo contrário, apresenta uma história convincente e que se encaixa perfeitamente com a história do original. E ele se mantém tão bom quanto o primeiro também. O que é sempre um enorme mérito.


Família composta de pai, mãe, filha adolescente, bebê e cachorro se muda para a casa nova, e após sofrer o que aparenta ser um arrombamento que deixara alguns cômodos da casa destruídos, o pai resolve instalar um sistema de segurança que é composto de várias câmeras espalhadas estratégicamente pela casa. E com essas câmeras, podemos acompanhar tudo que passa a acontecer com essas pessoas.
Perceba que é um fiapo de história, mas que não soa gratuíto ou falso. Ainda mais quando ali pela metade do filme, aparecem os personagens do primeiro filme, e descobrimos a relação dos mesmos com a família desse filme. Tudo faz sentido no contexto, o que já é meio caminho andado para ganhar o público.

A outra metade se trata da maneira que o filme desenvolve sua trama e seus personagens. E ele o faz de maneira excepcional em ambos os casos.
Os 20 min iniciais servem apenas para passarmos a conhecer e nos identificar com os personagens. O que é importantíssimo para que sejamos levados a temer pelos seus destinos mais adiante. Claro que o fato dos realizadores utilizarem um bebê e um cachorro, dois seres que despertam a simpatia imediata do público sem nem fazer esforço, chega a ser maldoso. Mas acredite, funciona que é uma beleza.
Já que uma vez que começamos a ver os brinquedos presentes no berço do menino se mexendo sozinhos, imediatamente somos tomados por no mínimo, nervosismo e receio pela criança.

As cenas noturnas, se inicialmente não mostram nada demais, aos poucos vão levando o público à loucura, já que as mesmas vão ficando cada vez piores e mais intensas. E cada vez que uma nova cena durante a noite tem início, o público imediatamente fica tenso, temeroso, sempre atento para uma sombra se mexendo no canto da tela. Isso o deixa vulnerável, já que em dado momento se torna impossível imaginar o que vem a seguir. E quando o susto vem, ele vem com tudo e sem pedir licença.
E além do mais, você pensa que como no primeiro filme, as assombrações ocorrem apenas a noite? Pois pense de novo. =D

Porém, ao contrário do primeiro também, esse filme possui algumas falhas.
Para começar, seu ritmo está meio estraho. Se no original, as cenas foram montadas de forma brilhante, justamente para levar o público a ficar cada vez mais e mais assustado à medida que a história segue, aqui elas as vezes são separadas por longos períodos sem acontecimentos marcantes. Temos uma cena tensa que faz todo mundo ter um ataque do coração, para logo em seguida ocorrer uma bem menos tensa, quase que decepcionante. E após isso, outra cena, porém nessa nada acontece. E quando a tensão total volta, o estranhamento já foi sentido pelo público, coisa que o original simplesmente não permitia.
E o seu final, que poderia ter sido mais eficiente. Mas nesse caso, não comentarei para nem ter chance de estragar nenhuma surpresa.

Palmas para os realizadores por terem mantido o bom nível do primeiro filme, e sobretudo por ter tido respeito o suficiente pelo público para pensar numa história interessante, e o mais importante, CONVINCENTE.

Valeu!






domingo, 17 de outubro de 2010

O sistema é f*da, parceiro.

Depois de mais de duas semanas sem postar, estou de volta.
Semana meio que tumultuada, só arranjei tempo (arranjei na marra) na sexta para assistir a continuação do nosso glorioso Tropa de Elite, de 2007.
Tudo bem que a essa altura, o país inteiro já deve ter assistido. E isso não é um exagero tão absurdo, quando se analisa que 1,2 milhões de pessoas assistiram ao filme só no fim de semana de estréia, se tornando a melhor abertura para um filme nacional de todos os tempos (só para comparar, a ex-maior abertura era de Chico Xavier, desse ano, com pouco mais de 500 mil pessoas, menos do que a metade da abertura de Tropa 2). E as sessões até agora não pararam de esgotar, nem vão parar tão cedo. Para você que não vê nada demais nisso, saiba que estamos diante de um fenômeno cinematográfico. Isso simplesmente NÃO acontece.

Vou confessar, que antes de assistir a essa continuação, eu estava esperando apenas mais do mesmo. Bope tocando o terror na bandidagem durante 2 horas de filme. Eu teria ficado satisfeito com apenas isso (todo mundo teria, na verdade, como prova a popularidade do primeiro flme). Mas Tropa 2 não apenas me surpreendeu ao seguir um caminho bem diferente, como me deixou tenso e inclinado em direção a tela durante toda sua duração. E pelo visto o mesmo aconteceu com todos os outros que tavam na sala, já que o filme foi aplaudido (até de pé, por algumas pessoas), após a sessão.
E merecidamente. Se trata de um golaço no ângulo, feito pelo cinema nacional. Nunca vi um filme brasileiro tão bem dirigido, bem atuado, bem escrito quanto esse. 
Sim, meu caro. Tropa de Elite 2 deixou o filme original no chinelo.

Vou tentar descrever o mínimo possivel a história do filme, já que as reviravoltas aparecem aos montes. E é muito melhor se surpreender vendo a tela grande do que esse blog. (se é que você ainda não viu o filme).

Devido a uma operação mal realizada no começo do filme, Nascimento, agora 15 anos mais velho, acaba saindo do Bope. Mas ao perceber que o mesmo é considerado um herói por parte da população, o governador do Rio de Janeiro lhe dá o cargo de Subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro, responsável por usar câmeras e grampos para combater o crime. Com isso, ele usa seu poder para transformar o Bope numa máquina de guerra, e consegue acabar com o tráfico e crime organizado nas favelas. Mas eis que aqueles de fora, que lucravam com o tráfico, acabam descobrindo outras maneiras de ganhar com o crime. E assim começam a surgir as Milícias nas favelas, que além de comandar o local, transformam o mesmo num enorme curral eleitoral.

Pareceu complicado? Pois isso é apenas uma gota no oceano de informação que é Tropa de Elite 2. Contando com um roteiro simplesmente brilhante (escrito por Bráulio Mantovani, o mesmo do primeiro filme e de outro clássico do cinema nacional, "Cidade de Deus"), o filme joga informação atrás de informação sem jamais subestimar a inteligência de quem está assistindo (algo que também elogiei em "A Origem"). Além de que os acontecimentos e reviravoltas se mostram perfeitamente plausíveis (as vezes, até dolorosamente possíveis). Contando com um final realmente destruidor, o roteiro talvez seja o maior responsável pela altíssima qualidade do filme.

Mas de nada adiantaria um excelente roteiro, se não houvesse um bom diretor. E José Padilha é um excelente diretor. Comanda sequencias de ação de maneira segura. Utiliza a câmera tremida de maneira comedida, sem jamais deixar as imagens confusas demais. E seu estilo é responsável por criar uma intensidade explosiva em praticamente todas as suas cenas (intensidade que já estava presente no primeiro filme, e no seu documentário "Ônibus 174 ").

E o elenco dispensa comentários, na verdade. Boas atuações são lugar-comum no cinema brasileiro (nós temos atores e atrizes sensacionais). Mas aqui, estão todas imersos em seus personagens. Destacando, óbviamente o trabalho impecável de Wagner Moura como Nascimento. Exibindo uma postura curvada, os ombros cansados, e um olhar triste, o excelente ator mostra incrível compreensão de seu personagem. Observe como por mais que evite explodir diante de qualquer pessoa, a insanidade furiosa de seu personagem acaba se mostrando novamente, ao dar uma dura em Matias, exibindo uma autoridade agressiva que o caracterizava antes, mas que agora permanece escondida.

Além de ótima diversão, o filme consegue nos fazer pensar. E muito. Mostrando que as coisas não são tão simples quanto parecem (o fato do Sistema se recuperar e se adaptar a cada porrada que toma é verdadeiramente assustador, pois afinal, qual é a solução então?).
Absolutamente nenhum país vai entender o filme tão bem, nem ter um carinho tão grande por ele, como nós brasileiros temos. Nascimento é ídolo justamente por realizar aquilo que nós sempre sonhamos realizar. Dar um basta em tudo isso. Bater de frente. Enquanto nós nos sentimos acuados frente a apavorante realidade do país, Nascimento levanta um enorme dedo do meio para toda essa confusão. 

Tropa de Elite 2 é uma experiêcia de lavar a alma. Tanto para os amantes do bom cinema, quanto para nós brasileiros, que temos a oportunidade ver alguém finalmente fazendo a justiça por nós. Mesmo que seja apenas por algumas horas, em um filme.

Não assistiu ainda? Tá esperando o que?

Valeu!
Abraços.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Brighter than a thousand suns

Toda banda tem seu álbum divisor de águas. Aquele que os fãs mais respeitam, que os críticos elogiam e usam como referência para os próximos trabalhos, e mesmo quem não é familiar com a banda ao menos já ouviu falar.
O Red Hot Chili Peppers teve o "Californication". O Nirvana teve o "Nevermind". Metallica teve o "Master of Puppets" (e posteriormente o Black Album), o Iron Maiden teve o "Powerslave" e o System of a Down teve o "Toxicity", só para citar alguns exemplos. Nenhum desses exemplos mencionados se trata de um álbum de estréia.
Pois o Linkin Park, que todos conhecem, conseguiu lançar um divisor de águas logo no seu CD de estréia, o 'Hybrid Theory", de 2000.
Na época, todo mundo ficou fã da banda. De fato, com 12 faixas, todas ótimas e grudentas, além de contar com uma curtíssima duração (tinha pouco mais de 30 min, o novo do Iron Maiden tem duas faixas a menos, mas tem 1h27min, só para comparar) o CD caiu nas graças do público, que o tornou o segundo álbum mais bem vendido da década passada (atrás apenas do álbum "1" dos Beatles) e lançou hits eternos como "In the End", "Crawling" e "One Step Closer".
O sucesso e as turnês foram tamanhas que a banda só arranjou tempo pra gravar um novo álbum 3 anos depois, lançando então o "Meteora", em 2003, outro que foi elogiado, e que obteve um sucesso colossal, (considero o Meteora o auge dos caras).

E nessa época, eu estava na época em que "odiar modinhas" era bacana. Sendo um fã de metal, como sou, assim que vi simplesmente TODO MUNDO gostando do LP, deixei de dar atenção à banda. Fazer o que, todo metaleiro tem a sua fase xiita, pode ter certeza.
Quatro anos depois disso, agora em 2007, eu já uma pessoa diferente, que já gostava de reggae, e já abria a mente para outros tipos de música sem problemas, vi que o Linkin Park havia lançado um novo álbum chamado "Minutes to Midnight". E quando ouvi, eu fui um dos poucos que gostou do CD imediatamente. Linkin Park havia definitivamente amadurecido seu som, contando músicas bem construídas como "No More Sorrow" e a sensacional "Bleed it Out" (minha favorita deles até hoje), além de algumas baladas.
Havia um viés mais político na banda também (por exemplo, o título Minutes to Midnight faz referência ao famoso Relógio da Guerra Fria, em que quanto mais próximo da meia-noite, mais próximo estaríamos de um conflito nuclear, que também serviu de referência para a clássica "2 Minutes to Midnight" do Iron Maiden).

 A banda some mais uma vez, e só reaparece esse ano com o álbum "A Thousand Suns", que tive o prazer de escutar essa semana.


À primeira ouvida, o CD soa bastante estranho. Pra começar que as guitarras estão praticamente inexistentes, coisa impensável considerando que LP se caracteriza com uma guitarra pesada em quase todas as suas músicas. Existem aqui várias vinhetas (cinco, para ser mais exato) além da primeira faixa que serve apenas de introdução. O primeiro single da banda, "The Catalyst" tem quase 6 minutos de duração, o que é muito em se tratando de Linkin Park.
Minha reação inicial foi basicamente pensar "mas que porra é essa?". Mas após uma segunda, uma terceira e até uma quarta ouvida, estou começando a desconfiar que se trata de um dos meus álbuns favorito dos caras (quase chegando perto do insuperável Meteora).
Contando com um tom um tanto apocalíptico em suas letras, o CD abraça o tema "fim do mundo" sem medo. A primeira faixa, "The Requiem" é uma introdução de 2 minutos em que uma voz distorcida feminina canta "Deus salve a todos nós/ queimaremos nas chamas de mil sóis/ pelos pecados de nossas mãos/ pelos pecados de nossa língua/ pelos pecados de nosso pai/ pelos pecados de nossos jovens", que emenda logo em seguida com a vinheta "The Radiance", que se trata do famoso discurso de Robert Oppenheimer, criador da bomba atômica (aquele do "hoje me torno Morte, tornei-me o destruidor de mundos").

Além do mais devo chamar atenção para esse detalhe. As faixas não estão separadas, elas se fundem umas com as outras. No final de uma, já estamos ouvindo a introdução da próxima. Portanto, A Thousand Suns é um ÁLBUM que deve ser conferido na íntegra, pois suas faixas separadas perdem bastante do seu impacto.

A primeira música de verdade é a terceira faixa, "Burning in the Skies". Aí se espera que ela exploda num som insurdecedor de guitarras e berros do Chester Bennington (vocalista), certo? Pois a banda toma exatamente o caminho inverso e inicia com uma balada. Com letras apocalípticas, sim, mas ainda assim uma balada, com aquele relativamente manjado, porém verdadeiro, tema da humanidade responsável pela própria destruição ("estou nadando na fumaça das pontes que queimei/ (...) estou perdendo aquilo que não mereço").

Outra característica interessante aqui é que as vozes do Chester e do Mike por vezes se misturam e não dá pra saber quem tá cantando. Mike, que antes cantava só a parte rap das músicas, agora aprendeu a cantar bem e rivaliza até mesmo com o seu parceiro vocalista em faixas como a sensacional (e melhor do CD) "The Catalyst". E só sei que ele canta boa parte dessa música porque vi no clipe oficial lançado, já que as vozes estão por vezes difíceis de distinguir.

Muito gente vai torcer o nariz para esse CD, e com motivo. A banda dá uma mudada considerável em seu estilo, e além disso, se trata de um disco particularmente difícil de escutar. Exige, sem dúvida, mais de uma escutada. Já que mesmo após eu ter ouvido umas 5 vezes o CD inteiro, ainda assim encontro coisas novas que não tinha percebido. É justamente por isso que considero esse o trabalho mais corajoso e interessante do Linkin Park, além de que como eu disse, provavelmente se tornará um dos meus favoritos em breve.

Eu fico muito feliz por essa banda, que considerei apenas uma modinha a 7 anos atrás, se apresentar hoje como uma das bandas mais interessantes e relevantes do (infelizmente) decadente meio musical atual.
Parabéns pros caras. Que venha outro ainda melhor que esse.

Valeu!

obs.: o título do cd, "A Thousand Suns", vem de um texto hindú, que Robert Oppenheimer citou, e tornou famoso, ao descrever a bomba atômica:
"Se a radiação de mil sóis explodisse ao mesmo tempo pelos céus, seria como o esplendor do Todo Poderoso."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dead Men Walking

Conhecem a definição de um "filme cara-de-pau"?
Se conhecem, vão perceber que os três primeiros (e agora esse quarto) Resident Evil se encaixam perfeitamente nessa categoria. Todos ruins, mas todos tão divertidos em sua ruindade, em sua palhaçada, que acabam fazendo todo mundo assistir o próximo que sai, mesmo assim. O primeiro foi esculachado quando saiu (inclusive por mim), e até hoje já revi aquele filme várias e várias vezes. Mesma coisa com o (péssimo) segundo e com o terceiro.

Agora, eis que sai mais um capítulo da divertida série, agora com a novidade de ser em 3D, e com o retorno do diretor do primeiro filme, Paul W.S. Anderson (que apesar de só ter dirigido aquele, escreveu o roteiro de todos os outros, inclusive desse quarto).   



Só que dessa vez, o 3D não tá aqui só de enfeite. Ele tem um propósito para estar ali.
Antes de assistir ao filme, comentei com uma amiga que provavelmente não veria nada demais nesse 3D, já que os outros filmes que assisti no formato funcionavam até bem melhor sem a tecnologia, sem mencionar que chegava a dar dor de cabeça de assistir.
Pois agora, eu alegremente retiro o que eu disse, já que esse provavelmente foi o melhor uso de 3D que vi no cinema até agora.

Ao contrário do que acontecia em O Último Mestre do Ar, que foi convertido para o 3D de última hora, esse Resident Evil foi pensado desde o começo (e filmado) no formato, assim como Avatar foi.  E isso fica evidente na tela, já que o 3D é realmente sensacional. Aliás é tão sensacional que dá até pra esquecer os absurdos que vemos na tela. (como na inacreditável e hilária cena em que um personagem chuta um imenso caco de vidro em direção a um cachorro. Você vai entender quando assistir).   

A história segue exatamente de onde acabou o terceiro filme, com Alice acordando os seus clones e rumando em direção à central da Umbrella Corporation (responsável por o soltar o T-Virus que dizimou grande parte do planeta). Na realidade, é difícil detalhar a trama sem entregar uma ou outra surpresa, então basicamente, você terá que se contentar com essa sinopse canalha mesmo. =D

Como é costume nas produções envolvendo a série, os efeitos não tão lá essas coisas (embora estejam bem melhores aqui do que em qualquer um dos três filmes anteriores), e o diretor parece estar simplesmente maravilhado com os efeitos 3D que conseguiu capturar  com suas câmeras.
Sério, quase metade do filme está em câmera lenta, com chuva caindo, ou balas voando, personagens dando piruetas. Funciona uma hora ou outra, mas eventualmente acaba ficando só hilário e sem propósito.
A cena inicial, na chuva, por exemplo. Belíssima de se ver, mas sem motivo algum. Afinal é todo um suspense para um fato totalmente comum em todos os filmes. Ou a cena da colisão de um helicóptero contra uma montanha logo no começo, em que a cena congela no momento da colisão somente para acompanhar seus passageiros no ar dentro da nave. É realmente uma cena linda e cristalina, mas não serve pra porra nenhuma.
E já que falei quase o tempo todo do 3D até agora, vale avisar logo que sem essa tecnologia, esse filme não é NADA. As três dimensões aqui não aumentaram a experiência do filme, elas SÃO a experiência completa. Acompanhar a luta contra entre Alice, Claire e o Executioner (o monstro grandalhão de 2 metros e meio com o machado grande do cacete) dentro de uma sala com água caindo por todos os lados é maravilhosa em três dimensões, mas a experiência provavelmente será praticamente nula no 2D, já que mais uma vez a cena é atolada de câmera lenta, e com respingos e a arma do monstro voando em sua direção.

Milla Jovovich, a atriz principal.
Que dizer dela? Além de estar aqui linda como sempre, ela ainda se mostra completamente confortável e natural no papel da Alice. Ela realmente convence como uma mulher durona, capaz de eliminar vários inimigos sem dificuldade, sem precisar parecer arrogante ou exagerar na expressão de raiva. Aliás, Milla permanece absolutamente carismática mesmo quando tá metendo tiro na cabeça de dezenas de zumbis.
É interessante notar também como ela mantém a voz rouca na primeira metade do filme (natural, pois sua personagem acabara de passar muito tempo sem falar nada, apenas buscando seus amigos), porém se não me engano ela mantém essa rouquidão até o final, então não sei se essa sacada dela foi intencional.

Esse é um filme que é simplesmente à prova de críticas, já que ele jamais se propõe a ser mais do que ele é.
Muito pelo contrário. Como eu disse antes, ele abraça desde o começo sua natureza de canalha.
Se trata, portanto, de um filme honesto em suas intenções, coisa que poucos filmes são hoje em dia.

A sessão em que eu e alguns amigos assistimos tava lotada, com o público caindo na gargalhada o tempo todo. É exatamente assim que esse filme tem que ser assistido.
Acredite, fica bem mais bacana.

Valeu!

Obs.: foi realmente bacana ouvir a música "The Outsider", do A Perfect Circle, no filme. Mesmo tando remixada. Além de ser uma das minhas bandas favoritas, essa é uma de suas melhores músicas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Crucify the ego, before it's far too late"

Hora de outro post pessoal, apesar de ter prometido não fazer mais isso.
Mas como nossa vida está em constante transformação e movimento, não dá pra cumprir esse tipo de promessa, não é mesmo?

Pois bem, em dados momentos, quando nossa auto-estima está ameaçada, recorremos a arrogância para nos sustentar. Ou seja, quando a gente começa a se sentir pra baixo por causa de outra pessoa, começamos a ser arrogantes, talvez até na esperança de nos iludirmos, pensando "sou uma pessoa melhor do que fulano, nem vou ficar me preocupando com isso" ou algo assim.
As vezes recorremos a atitudes radicais como parar de falar de vez com a pessoa (as vezes mantendo aquela esperança de que a pessoa corra atrás da gente novamente).
Eu já cometi esses erros, até mais de uma vez, e acho que tá na hora de parar com isso.

Nessas horas, que sentimos que simplesmente não vamos conseguir o que queremos, é muito fácil passar a utilizar a filosofia do "ligar o foda-se e ser feliz". Até parece mesmo uma idéia genial.
Mas não é, nem de longe.
Afinal de contas, se ligamos o "foda-se" então teoricamente não nos importamos mais com nada que aconteça, certo? Nem com mais ninguém. Mas se não nos importamos como eles, isso dá a eles o direito de REALMENTE não se importarem, de fato, conosco. Afinal o que fizemos para merecer a atenção deles?

Ninguém ganha vários amigos simplesmente por existir. Tudo se cultiva, tudo se busca. (se você é adepto do "não corro atrás de ninguém" então lhe peço para parar de ler agora e fechar essa página.)
O "buscar" não está no sentido de sair numa busca, de fato, mas no sentido de procurar ser uma pessoa amigável para todos que você conhece. Todo mundo gosta de pessoas bacanas, que se mostram bem-humoradas até nas horas mais complicadas. E é permanecendo assim que você começa a ganhar amigos de verdade, que são algumas das pessoas mais importantes da nossa vida. É assim também que você desperta o interesse de algum parceiro ou parceira, podendo se envolver e desenvolver um relacionamento saudável daí.

Mas o ponto que quero chegar é: NINGUÉM consegue ser agradável quando se é ao mesmo tempo arrogante. Não precisa cumprir todo estereótipo de arrogante. Basta por exemplo, você pensar que é um pouquinho melhor que outra pessoa, e que as bobagens dela não merecem atenção.
Pronto, você é uma pessoa arrogante. (É sim!!)
Mas não fique muito puto, porque eu também sou assim. Todos são assim. Todos, uma hora ou outra, se consideram bons demais para entender outra pessoa, ou importantes demais para ter seu orgulho completamente ferido e suas vontades completamente frustradas.
E se nós, resolvemos por algum motivo, assumir essa natureza de arrogantes, não iremos cultivar porra nenhuma. Nada mesmo. Zero.

Hora, se todo conhecimento que pensamos ser nosso veio de fora, se nossas idéias são formadas a partir de coisas que observamos, que analisamos, que entendemos, porém ainda assim coisas DE FORA, significa que nada do que sabemos, nada do que aprendemos, nenhum dos valores que julgamos ter, é nosso de verdade. Apenas refletimos de volta aquilo que aprendemos no decorrer da nossa vida.
De que adianta então nos consideramos superiores a alguém, se não fomos totalmente responsáveis nem mesmo pelos nossos valores, pelos nossos modos?
Não existe motivo lógico então, para ser arrogante do jeito que nós somos. Não existe propósito em tentar diminuir uma pessoa, e puní-la, na imbecil intenção de nos sentirmos melhor.
Esse rancor, essa falsa superioridade, só nos deixa cegos para a verdadeira questão: sem ninguém, nós não somos merda nenhuma. Ninguém aprende sozinho, ninguém é feliz sozinho!

Então devemos buscar estar perto das pessoas, buscar ser agradável, nos enxergar como iguais. E se alguma pessoa não quiser você, seja por qual for o motivo, aguente firme. Só podemos tentar controlar os nossos sentimentos, não podemos exigir o mesmo dos outros. Então aguente firme, e siga em frente. Não tente se vingar, evite se emputecer com isso. Não se sabe o papel que essa pessoa terá em sua vida futuramente.
Quando você se mostra calmo e humilde, as pessoas QUEREM gostar de você. Então não ceda ao descontrole, à arrogância, senão daqui a pouco ninguém vai te levar a sério de verdade.

Vamos buscar e cultivar pessoas agradáveis a nossa volta, SENDO agradável para com elas também.
Interessante forma de proporcionar felicidade: fazer alguém feliz, exatamente por estar feliz.

=D

Valeu!

sábado, 11 de setembro de 2010

Cold as the Cold Wind Blows

Eu não sou o maior fã de rap que existe, mas se tem um rapper que sou fã de verdade, esse é Eminem.
E isso desde que ganhei o CD The Eminem Show de presente de aniversário lá em 2003 (e ele tá até hoje inteiraço) e que escutei zilhões de vezes. Depois descobri que se tratava de seu terceiro trabalho de estúdio.
Os dois primeiros, The Slim Shady LP (de 1999) e The Marshall Mathers LP (de 2000) , consegui comprar tempos depois. Os dois ácidos, bem-humorados, polêmicos e geniais em todas as suas músicas.
Seu trabalho seguinte ao The Eminem Show,  "Encore", de 2004, antecipado pra cacete, devido a uma adoração quase religiosa que alguns fãs tinham, acabou sendo visto como decepção. Não concordo. Apesar das letras serem até bem fracas se comparadas aos trabalhos anteriores, algumas músicas ainda agradaram bastante.
Depois de um longo hiato, o cara finalmente lançou "Relapse" ano passado. Esse sim, uma certa decepção pra todo mundo, já que quase nenhuma música chamou realmente atenção (exceto "Beautiful", que é ótima).
Eminem tinha acabado de sair do fundo do poço em seu vício nas drogas, além de ter enfrentado a morte de seu amigo desde tempos da adolescência, Proof. Então, talvez sua cabeça não tivesse no melhor lugar.

Nesse ano, sairia uma continuação (Relapse 2, portanto). Só que no processo de gravação, Eminem viu uma mudança radical tanto nas letras quanto no som e decidiu que o CD não tinha mais nada a ver com Relapse, e foi entitulado "Recovery", principal motivo desse post.

Já desestimulado pela decepção que foi Relapse, inicialmente nem dei atenção para esse álbum. Porém aos poucos, começaram a sair os primeiros singles e aos poucos começaram a fazer um grande sucesso. Então me chamaram atenção.
O primeiro, "Not Afraid" tem um refrão grudento pra cacete. Além de ser um sincero pedido de desculpas de Eminem para os fãs, pela decepção que ele tem sido. Desculpas aceitas, sem dúvida, já que Not Afraid já era melhor que o álbum "Relapse" inteirinho e melhor que boa parte de Encore de 2004)

O segundo single, "Love the Way You Lie" com a participação de Rihanna tá nesse momento tocando em tudo que é lugar. E todo mundo gosta dessa música. Você mesmo já a escutou ao menos uma vez hoje, talvez nem saiba. Se Not Afraid tinha um refrão grudento, essa nem se fala.

E hoje, ao encontrar o Recovery com um baita desconto, resolvi comprar (sim, as vezes ainda compro CD, não sou o maior fã dos iPods da vida) e me surpreendi por se tratar, de fato, de um CD do car*lho.
Tá certo que a maior parte das letras se trata de Eminem xingando a tudo e a todos. Se você pensava que ele tava puto nos primeiros CDs, pense de novo. Aqui, o cara consegue ser mais agressivo do que nunca. Isso nem sempre é bom (como na música "Won't Back Down", com a participação de Pink, que acaba soando sem propósito), porém as vezes fica ótimo, (como na explosiva "Cold Wind Blows" que abre o disco).
"Cinderella Man" é uma das melhores, e tem a maior cara de música que vai fechar os shows na turnê desse disco. Bom exemplo de música que não tem um refrão grudento, justamente pela música inteira ser grudenta, e quando você percebe, já a escutou várias vezes.
"You're Never Over", que fecha o disco, é uma música dedicada ao seu falecido amigo Proof. Apesar de soar agressiva demais, ela consegue emocionar no final, já que Eminem realmente parece estar à beira de se debulhar em lágrimas no meio de sua agressividade.

Porém aquela que na minha opinião é a melhor música do CD, é logo a segunda do álbum e se chama "Talking 2 Myself".  Cara, devo ter escutado umas 20 vezes seguidas essa música.
Com um refrão SENSACIONAL (principalmente pela sua sonoridade) e com a melhor letra do álbum, a música se aproxima da fodalidade suprema que foi The Eminem Show (em termos de qualidade apenas, já que é bem diferente de tudo naquele CD).
Nessa música Eminem direciona toda sua raiva para si mesmo, botando às claras o quanto se arrepende de toda merda que fez nos últimos anos, além dos Cds apenas medianos que lançou, e fala que decidiu deixar de frescura e melhorar de vez sua vida. E de fato, com essa música ao menos em termos de qualidade, ele se superou.
É uma pena que provavelmente essa música não faça tanto sucesso quanto as outras (nada contra as outras que tão explodindo nas rádios, as duas são ótimas). Mas dêem atenção a essa música genial, pois ela merece.

Recovery não é um CD totalmente bom. Contém algumas músicas mais fracas, mas aquelas que são boas, realmente compensam no final. Resta esperar que Eminem permaneça nesse caminho, já que agora que o cara tá sóbrio de novo, seu próximo CD pode acabar sendo um dos seus melhores trabalhos.

Valeu
=)

domingo, 5 de setembro de 2010

Você já imaginou vida depois de vida?

Em Abril desse ano, foi lançado nos cinemas um filme (ótimo, por sinal) sobre Chico Xavier.
Apesar de um filme feito muito mais para a população adepta da religião espírita (e faço parte dessa população, sou espírita), o longa de Daniel Filho conseguiu superar tais barreiras de religião, de crença, e acabou se tornando um filme para todos (apesar do ceticismo de muitos se manter acerca da iluminada figura do Chico).
Pois bem, eu sei que é um saco quando alguém tenta empurrar suas crenças para as outras pessoas. E sabendo que esse Nosso Lar, que saiu esse mês, é um filme muito mais voltado para a população espírita do que o longa "Chico Xavier" foi, vou evitar qualquer opinião sobre minha religião ou sobre outras religiões, já que esse claramente é um assunto pessoal, e CADA UM TEM O DIREITO de ter fé no que escolher.

Pois bem, o longa conta a história do médico André Luiz (meu xará) após sua morte, no mundo espiritual. Inicialmente indo parar na sombria e monstruosa relidade do Umbral, devido aos seus vícios e modos durante a vida, André é levado à colônia espiritual chamada Nosso Lar, após anos de provação.
Lá ele conhece companheiros, reencontra familiares a muito tempo perdidos e acaba por aprender muito mais sobre si mesmo e sobre o Universo do que esperava.
Tudo isso é descrito no livro "Nosso Lar", escrito por André e psicografado por Chico Xavier.

Quem leu esse livro (ou ao menos parte dele) sabe que, além do linguajar mais difícil, o livro apresenta um texto claramente descritivo.
Grande parte dele se trata de André descrevendo o que vê na colônia de Nosso Lar, além de seus aprendizados e conversas inspiradoras que tem com os indivíduos que lá residem.

E assim também é o filme.

Desde o começo, com André acordando no Umbral, ouvimos sua narração, contando o que sentia, o que observava. Se inicialmente isso tira um pouco do impacto, já que as imagens de sofrimento e dor no Umbral dispensam qualquer tipo de narração, posterioramente ela se torna necessária e até parte importante da história, já que existem muitos detalhes importantes sobre cada particularidade da colônia que não podem ser compreendidos apenas com a imagem.

Nosso Lar chega também como um dos filmes nacionais mais caros já feitos (custou R$ 20 milhões) e isso é sentido na tela.
Os efeitos são ótimos, mesmo para o padrão internacional. As imagens das almas circulando o planeta Terra durante a Segunda Guerra Mundial é sensacional. E a imensa montanha que sustenta a colônia Nosso Lar no seu topo me chamou atenção desde o trailer.
A trilha sonora do americano Philip Glass também é destaque, principalmente nas cenas envolvendo o Umbral.
As atuações são muito boas, embora soem teatrais demais em alguns momentos (o ator que interpreta André, Renato Prieto, é um ator de teatro e esse é um de seus primeiros trabalhos no cinema).

Esse será um filme menos querido do que "Chico Xavier", já que conta com um tom muito mais voltado à crença espírita. Ou seja, é um filme menos universal que o filme sobre o médium.
Além de que seu tom de constante explicação vai acabar por desagradar algumas pessoas. Embora talvez não pudesse ter sido feito de outra forma. (na realidade, o filme até achou um meio de contornar as várias explicações do livro, simplificando-as ou apenas mantenando as mais importantes).

Mesmo assim, Nosso Lar representa um marco no cinema nacional, pelos seus aspectos técnicos, que de fato são impecáveis, e serão a parte mais comentada do longa pelo público.

E fico realmente muito feliz, de uma obra complexa como Nosso Lar ter sido tão bem adaptada e feita com tanto carinho para o cinema. Que venham outras adaptações, tão boas quanto essa. Nem precisando necessariamente ser de obras espíritas, mas de obras que possam nos inspirar a nos melhorar, a amar uns aos outros. Afinal, talvez esses sejam nossos propósitos mais claros nessa vida.
E cinema também se beneficiaria de tais histórias, pois como diz um dos personagens do filme:
"O mundo precisa de histórias felizes!"


Muito obrigado por ter lido, ou apenas pela breve atenção.

=)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Força sempre!

Na refilmagem de 2008 do clássico "O Dia em que a Terra Parou", (na qual Keanu Reeves interpreta o alienígena Klaatu), a principal ameaça, aquilo que aterrorizava toda a humanidade, não eram os alienígenas. Pelo menos não para quem estava assistindo o filme.
O que mais aterrorizou o público foi a presença em cena de um garotinho chamado Jaden Smith (vulgo "filho do Will Smith"). Esse garoto conseguiu a façanha de arruinar TODAS AS CENAS em que aparece, e ser completamente irritante e insuportável em todas elas.
Então quando descobri que ele faria o papel principal da refilmagem de Karate Kid, imediatamente fiquei com um pé atrás. Como poderia um garoto chato desse interpretar um dos personagens mais carismáticos que o cinema já viu?

Felizmente, eu estava enganado. Com esse Karate Kid, o moleque não apenas se redime totalmente daquela atuação desastrosa, como consegue emocionar o público com seu personagem.

A história do filme é parecida com a do original. Garotinho chamado Dre se muda com a mãe para a China. Lá ele é discriminado e atacado pelos valentões locais (aquele tal de "bullying", sabe?). Eis que ele conhece o Sr. Han (que era o Sr. Myagi no original) que o ensina a lutar para se defender desses ataques, ao mesmo tempo em que o treina para lutar em um torneio.

Jaden Smith, se antes me emputecia com sua presença em qualquer filme, agora surge absolutamente real e carismático. Pois se inicialmente apresenta algumas irritações e mal humor, é apenas porque o roteiro exige que isso aconteça (afinal, deve ser difícil simplesmente se mudar para a China de uma hora para a outra, onde não se conhece nem as pessoas e nem os costumes completamente).
E é bastante comovente vê-lo tentar conter o choro na primeira surra que leva dos valentões chineses, além de provar que Smith tem talento para ser um ator dramático tão bom quanto seu pai (sim, além de um talentoso ator cômico,Will Smith provou sua capacidade como ator dramático em filmes como À Procura da Felicidade e Eu Sou a Lenda).

Outra boa surpresa do filme é justamente o já veterano Jackie Chan. Embora seja sempre carismático em todos os seus filmes, Chan raramente demonstrava seu talento para drama. E aqui, devo dizer que ele faz seu melhor trabalho. Além de óbviamente, apresentar um talento inigualável nas artes marciais, Chan se sai extremamente bem como ator, particularmente em um momento doloroso que se passa dentro de um carro com o personagem de Jaden Smith.

Vale destacar também a atuação de Taraji P. Henson, como mãe de Dre, que demonstra um amor imenso pelo seu filho, embora se mantenha rigorosa em sua educação. E é também tocante observar no momento em que a mãe chama atenção de Dre, por apresentar um olho roxo, somente para logo em seguida defendê-lo de uma pessoa que tenta insinuar que o garoto seja encrenqueiro.

E se até agora só falei da parte dramática do filme, foi porque foi o que mais me surpreendeu.
Porém, o humor presente no longe também é impecável. Desde o jeitão cansado de Jackie, passando pela empolgação ingênua de Dre, e pela carinhosa presença de uma menina que aparece como seu interesse romântico, o filme vai deixar todo mundo sorrindo por um bom tempo, ainda mais vendo o treinamento inicialmente sem sentido do Sr. Han (que, mais uma vez, se torna emocionante ao percebermos o quanto toda aquela repetição é necessária).

É então frustrante, portanto, reparar que o filme desperdiça momentos com enorme potencial no torneio de artes marciais no final do terceiro ato. Tentando empregar cortes rápidos e golpes irreais (que ainda usam efeitos especiais), nessa hora o filme perde seu impacto, o que é uma pena.
Até porque, não importa o quão estrambólico o golpe final seja (e acredite, o chute dado por Dre no final do torneio é MUITO exagerado) não chega nem aos pés da emoção de ver o Golpe da Garça finalmente ser dado com perfeição por Ralph Macchio no final do Karate Kid original, de 1984.

Mas nada disso consegue arruinar o filme como um todo. Muito pelo contrário. Apesar dessas falhas serem todas no final, ainda assim saí empolgado e feliz com o que eu tinha acabado de assistir, o que comprova a força da história do filme.

Afinal, não importa o quão manjadas e piegas sejam as velhas boas lições, elas jamais deixam de nos emocionar e inspirar.

"A vida vai nos derrubar, mas cabe a nós escolher se vamos ou não nos levantar novamente."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"The 80s are back"

Esse não será o post com o linguajar mais culto de todos os tempos, mas não se incomode.
É que simplesmente não consigo esconder a empolgação de ter visto esse filme.

Os anos 80 estão sendo devidamente homenageados nesse ano de 2010.
A começar pela divertida adaptação da série Esquadrão Classe A para o cinema, passando pela refilmagem de Karate Kid, chegando à continuação Tron: O Legado que chega no cinema no final do ano.
E claro, esse que se trata talvez de um dos filmes mais comentados do ano (nem sempre pelos motivos certos), Os Mercenários com seu inacreditável elenco.
Stallone, Jason Stathan (o careca de Carga Explosiva), Jet Li, Dolph Lundgren, Mickey Rourke, e ainda com tempo para participações dos monstros do cinema de ação, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger.
Aí em cima estão precisamente todos os motivos para se assistir a esse filme.
"Mas e a história?" você perguntaria.
Pra lhe ser honesto, assisti o filme, aplaudi e vibrei junto com o cinema inteiro (que estava lotado) e em nenhum momento lembrei de reclamar da história.

Me lembro que havia um ditador malvado (sempre tem), com um americano ainda mais malvado por trás (lugar comum hoje em dia).

E é isso.

Fora isso, tem muito tiro, explosão, gente explodindo em pedaços, gente levando tiro, gente levando facada.
É o cinema de ação dos anos 80 em sua melhor forma.
E é FUNDAMENTAL que quem assistir a Os Mercenários gostei desse gênero de filmes (tipo, 98% da população masculina do mundo).

O filme começa meio fraco, até por que as cenas de ação, com seu ritmo frenético e câmera balançando terrivelmente acaba por atrapalhar.
Aliás essa moda de "câmera tremida" deveria ser relegada somente ao diretor Paul Greengrass (que dirigiu A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne) já que só ele sabe fazer direito.
Portanto se você não é Paul Greengrass, NÃO COLOQUE UMA CÂMERA TREMIDA em suas cenas de ação. Não é legal, não é interessante, não é inteligente.

O filme fica nesse ritmo meio morno (embora como eu já tenha dito: a presença dos atores, ídolos de toda uma geração, acaba por apagar a maioria das falhas) até mais ou menos o final do segundo ato.
Porém ali, nos 30 minutos finais, toda e qualquer reclamação que eu tinha do filme foi pelo ralo.

Numa porrada sensacional entre os mercenários do título e o exército do Ditador, é tanto sangue, tanto nêgo pegando tiro, facada, explodindo, que o cinema inteiro ficou maluco.
Seja vendo Stallone cair no soco com o lutador profissional Steve Austin, ou ver um Stathan alucinado decepando membros de praticamente o exército inteiro, ou ver Jet Li bicudando a cara de qualquer um que se aproximasse, ou ver Terry Crews (o Latrell, de "As Branquelas") literalmente explodindo pessoas com uma metralhadora, é nessa hora que o filme ganha o público de vez.

Importante mencionar também outra cena sensacional, que ocorre mais no começo. Se trata do encontro dos três titãs do cinema de ação, Stallone, Bruce Willis e o Arnold Schwarzenegger. Sim, ele mesmo.
A breve conversa entre os três se trata de um dos melhores momentos do filme, com eles disparando insultos um para o outro. Chegava a ser palpável a alegria do pessoal (e me incluo nesse pessoal) que cresceu vendo filmes desses caras, que por muito tempo foram nossos ídolos.
E é sempre um prazer ver o Exterminador do Futuro em pessoa voltar a dar as caras na tela grande!

E não posso esquecer de chamar atenção para a presença de Mickey Rourke (o cara que fez o Chicote Negro esse ano em "Homem de Ferro 2" e que deveria ter ganho o Oscar ano passado por "O Lutador"). Mesmo sendo quase uma participação especial, ele rouba todas as cenas em que aparece. Especialmente naquela que se revela a única cena realmente dramática de todo o filme, na qual o cara conta coisas do passado para o personagem de Stallone.
Mickey Rourke deveria ter uma participação maior.

Bem, é isso.
Se você gosta dos filmes de ação dos anos 80, com um homem só destruindo um exército inteiro, então Os Mercenários é o filme do ano para você.
Se não for fã de violência, então corra... corra para bem longe!

Abraços!

obs.: na nossa gloriosa cidade, o filme só estreou dublado. Então sim, assisti a esse filme dublado, e a qualidade de som da nossa sala estava péssima. Mesmo assim o filme conseguiu ser bom como foi.

Tudo bem que traduzir "The Expendables", título oficial do filme para "Os Dispensáveis/Os sacrificáveis", que seria tradução oficial, não ficaria muito bacana, então eu entendo perfeitamente a tradução para "Os Mercenários". É até um bom título.

Agora velho, toda vez que aparecia um "expendable" escrito em uma moto ou algo assim, o cara traduzia para "Mercenário"! Isso está errado!
O público já está ciente do título do filme, então agora já pode botar as traduções CORRETAS das palavras!
Só uma pequena reclamação.
=D

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"ok..."

O que leva um homem a passar por humilhações (a maioria delas, pessoais) por uma mulher?
Que sentimento seria forte o bastante para impulsionar um rapaz, que até aquele ponto se achava convencido da própria segurança e tranquilidade em relação a sentimentos, a ir de encontro a dúvidas, a frustrações na vã esperança de trocar uma palavra que seja com a mulher que ele gosta?

Esse é um post pessoal, sobre questionamentos.
Não era minha proposta inicial, mas devido às circunstâncias, ao mesmo tempo em que eu PRECISAVA fazer isso, também não vi motivo algum para não fazê-lo.
Mas voltando a questão, por que um ser humano se joga tão intesamente contra uma situação em que ele sabe que só o trará mais complicações, mais dúvidas? POR QUE?

Interessante notar que a oportunidade de avaliar isso racionalmente, me faz esquecer do incômodo que é estar nesta situação.
Sim, nesse momento, não me sinto mal. Me sinto apenas curioso.
Afinal, se eu sabia que insistir, que correr atrás, ia me trazer infelicidade, por que fui mesmo assim?
Não seria mais fácil apenas, ter evitado tudo isso? Ter escolhido outro caminho, o caminho de NÃO SE APAIXONAR e simplesmente ter seguido em frente, sem maiores complicações?

Afinal que porra de pergunta é essa? É CLARO QUE SERIA MAIS FÁCIL!

Seria mais fácil, mas qual seria a graça nisso?
Qual é a graça de você ficar sozinho, apenas você, intocável contra essas paixões?
O lema de "solteiro sim, sozinho nunca" não necessariamente se aplica aqui, já que ficar com uma mulher numa festa que seja, ou em qualquer outro lugar, não necessariamente EXIGE algo de você. A não ser, talvez coragem, para os mais tímidos.
Tá certo que sair agarrando sem responsabilidade é algo divertidíssimo e saudável de se fazer, mas no final das contas, você ainda vai tá sozinho. Não é a toa que depois de um tempo, a maioria escolhe relaxar, escolhe se acalmar.

Então essa é chave. Se a gente não sofre, não passa por dificuldades, a vida não tem a mesma graça.
Claro que se apaixonar e se foder no processo é algo que dá trabalho, mas depois de superado isso DESPERTA algo no indivíduo. Pode ser nostalgia, pode ser um certo trauma, podem ser boas risadas, mas desperta algo SIGNIFICATIVO.
Sempre tentei evitar me apaixonar, mas nunca consigo ser bem-sucedido nessa tarefa.
Considerando que eu já não sou o maior "pegador" de todos os tempos, imagina o que seria de mim, se eu tivesse me mantido fechado todo esse tempo?

Então um conselho amigo? Se apaixone, sem medo. Se der certo, seja feliz. Se der errado, sofra, melhore e encare tudo outra vez! As duas opções valem a pena! Não fique tentando evitar, por que você apenas está se privando de uma das coisas mais interessantes dessa vida.

Não sei se alguém viu aquele filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", mas quem viu sabe que a fala final do personagem do Jim Carrey (dica: é o título desse post), no contexto do filme, é de despedaçar o coração de qualquer um.
Engraçado como algo tão simples quanto a palavra "ok" pode definir tão bem esse sentimento, e além disso, responder todas as perguntas que fiz no começo do post.


=)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Backstreet Benders

Sou fã de M. Night Shyamalan.

O cara dirigiu um dos poucos filmes que me aterrorizou de verdade (O Sexto Sentido), e realizou dois que estão entre meus favoritos: Corpo Fechado e Sinais.

Corpo Fechado, com seus trabalhos de câmera, seus planos-sequência, suas cenas cuidadosamente arquitetadas conseguiam deixar qualquer fã de cinema maluco (a brincadeira de reflexos logo no começo quando se revela um terrível fato sobre o bebê Elijah é prova do talento de Shyamalan).
Sinais com seu absurdo poder de sugestão, conseguiu deixar todo mundo com medo de alienígenas sem quase nem mostrar alienígena algum em cena. Eram sombras se movendo, ruídos, tudo isso comprovando o trabalho de um diretor brilhante.
A Vila, apesar de se tratar de um trabalho menos brilhante, se mostrava suficientemente interessante em suas idéias e se mantinha um bom filme. Embora ali começasse a aparecer os primeiros sinais da presunção de Shyamalan na sua maneira excessivamente lenta de dirigir certas cenas.

Tudo veio abaixo no filme seguinte.

"A Dama na Água", conto de fadas criado pelo diretor foi um marco na carreira de Shyamalan. Mas não se trata de algo positivo. Contando com uma história boba até para a criançada, cenas entendiantes pra cacete, e até mesmo um assassinato de um crítico de cinema no filme, realizado de maneira totalmente infantil, para servir de resposta aos críticos mais ferrenhos do diretor na época, o filme foi uma falha.
FALHOU MESMO. Total.

Mas começaram a sair os trailers de "Fim dos Tempos", e começou a empolgação de novo. Seria uma volta de Shyamalan ao gênero suspense, dessa vez com uma censura para maiores de 18 anos (que aliás foi um fato que as propagandas do filme muito usaram).
Tudo isso para todos nós nos decepcionarmos terrívelmente ao perceber que Fim dos Tempos é a maior piada cinematográfica lançada nos últimos anos. Com uma história beirando o ridículo ao mostrar uma "revolta da mãe natureza", lançando gases tóxicos na humanidade, fazendo com que todo mundo cometa suicídio.
Me lembro da minha vergonha quando levei uma amiga para assistir comigo. Nem sabia aonde esconder a cara, a medida que o filme ia ficando cada vez mais e mais ridículo (alguém lembra da cena que eles tentam correr mais rápido que o vento?)

Eu fiquei puto com estes filmes. Critiquei até o fim.
Mas ainda era fã de Shyamalan. Afinal, ele dirigiu Corpo Fechado e Sinais.
E um ser humano capaz de dirigir aquelas obras, merece para sempre respeito da população mundial.

E agora Shyamalan resolve adaptar o altamente bacana e memorável desenho da Nickelodeon, chamado "Avatar: A Lenda de Aang" ou "Avatar: O Último dobrador de ar". As vezes o dublador mudava o título. Enfim.
(Cuidado para não confundir com a galera azul do (ótimo) filme de James Cameron.)



O filme, como o desenho, mostra um mundo divido em quatro nações: Fogo, Água, Terra e Ar.
Em cada uma dessas nações, existem indivíduos capazes de manipular tais elementos. São os chamados "dobradores" ou, o termo em inglês "benders" (que curiosamente é um termo britânico para "homossexuais". O filme não está sendo levado muito a sério por lá).
Existe, no entanto, um indivíduo capaz de manipular todos os 4 elementos. Se trata do Avatar (a palavra "avatar" por vezes, significa a "representação física de uma divindade" na Terra), e tal Avatar é fundamental para manter o controle entre as nações e proteger todos de qualquer rebelião.
Porém a alguns anos atrás, uma das encarnações dessa divindade, que deveria conter uma revolta da Nação do Fogo, simplesmente desapareceu.
Porém, o espírito reencarnou em um simpático garotinho, chamado Aang (o moleque da seta na cabeça). Ele se une a dois indivíduos da Nação da Água (Sokka e Katara) para tentar por fim à tirania da nação do fogo.
Ah, e Aang é um dobrador de Ar (ou Mestre do Ar, como diz o título nacional).

Se trata na verdade, da primeira temporada inteira do desenho (entitulada Livro Um: Água). Então é difícil mesmo espremer tantos episódios em pouco menos de duas horas de filme. Então várias informações são simplesmente jogadas na cara do espectador. A pressa do filme é tamanha que muitos fatos importantíssimos do desenho se tornam meras observações (e mesmo essas são feitas com pressa).

As mudanças em relação ao desenho também são bastante absurdas.
Por exemplo, aqui no filme, os dobradores do fogo não são capazes de criar fogo das próprias mãos, eles necessitam de uma fonte de fogo pré-existente.
Porra, se é assim, então é só apagar a fonte de fogo que eles ficam na merda! Mas ninguém pensa nisso em nenhum momento do filme. No desenho, eles podiam criar fogo quando bem entendessem, e isso os tornava tão ameaçadores e justificaria também tamanha submissão dos outros povos.

Em determinado momento eles chegam a uma prisão onde se encontram vários dobradores de terra. E a prisão é completamente feita de... terra!
Meu Deus, porque os bacanas lá não simplesmente manipulam as montanhas e a terra sob os pés e destroem os guardas da nação do fogo que montam guarda? Mesmo assim, nada disso acontece. É preciso que Aang chegue e faça um discurso, para só então acontecer alguma coisa.
No desenho, se tratava de uma prisão de metal no meio do oceano, tornando muito mais compreensível os prisioneiros da nação da terra ficarem desestimulados a reagir.

E já que mencionei essa cena da prisão, aqui abro espaço para críticar outra imensa falha do filme: o próprio diretor.
Shyamalan tenta imprimir seu estilo (que funcionou MUITO BEM em suas outras obras menores) em praticamente toda cena. Qual o propósito de enfiar um plano-sequência no meio dessa revolta na prisão?
(planos-sequência são quando a câmera acompanha uma cena por um bom tempo, sem cortes aparentes, quase como se fosse o ponto de vista de uma pessoa observando o transcorrer da cena).
Uma cena dessa, implora por uma montagem um pouco mais frenética ou com mais cortes, justamente pela fluidez da cena. Ela precisa ser empolgante! Do jeito que ficou, ela acaba ficando monótona.

E só uma pausa para comentar algo dessa mesma cena: quando vi vários dobradores de terra fazendo movimentos sincronizados, eu pensei que eles fossem explodiar todo aquele cânion, afinal no desenho, ao somarem forças, o poder liberado pelos mesmos era monstruoso. Mas eis que vejo uma pedrinha saindo da terra, e então surge um OUTRO dobrador que é responsável por arremessar a pedra, afinal aparentemente uns 10 dobradores de terra não conseguiram tal feito. (eu os apelidei de Backstreet Benders, reparou no título do post? =D )

Enfim, sinto que escrevi demais. Existem mais falhas do que essas, mas agora vou chamar atenção para pontos positivos, afinal, o filme também não é um desastre completo.

A sequência da libertação de Aang do cativeiro pelo "espírito azul" é bem realizada. O filme contém dois excelentes atores que roubam todas as cenas. Se tratam de Dev Patel (o Jamal de Quem Quer ser um Milionário?) como príncipe Zuko e Shaun Toub como seu tio Iroh. Quando os dois aparecem em cena, o filme ganha vida e se torna mais interessante.
E a cena final, com Aang exibindo seu verdadeiro poder diante da Nação do Fogo, apesar de empalidecer terrivelmente em relação ao final simplesmente sensacional do desenho, se mantém ainda muito boa, principalmente devido a sua trilha sonora.

Eu sei que não parece, mas eu gostei bastante do filme.

O problema é compará-lo com o ótimo desenho em que ele foi baseado, que aí sim ele se mostra bem fraco. E para quem assistiu tanto ao desenho quanto ao filme, fazer tal comparação é inevitável.

É isso aí.



obs.: o 3D desse filme é totalmente inútil. Tava até para assistir sem o óculos algumas cenas. Assista em 2D, vale mais a pena.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

It's a kind of magic...

O Aprendiz de Feiticeiro. 
Novo filme estrelado por Nicolas Cage, e dirigido por Jon Turteltaulb. E além disso, produzido por Jerry Bruckheimer (o cara responsável por levar a franquia "Piratas do Caribe" para os cinemas). O trio já havia realizado os sucessos "A Lenda do Tesouro Perdido" e sua continuação.
E se dá pra ficar desconfiado ao ouvir o nome destes filmes (são divertidos, mas só isso), a surpresa é que ambos são ótimos filmes perto de O Aprendiz de Feiticeiro.
Isso significaria dizer então que Aprendiz é provavelmente um dos piores filmes da década, certo?

Não exatamente.
Sabe aquele filme, ou aquela música, que VOCÊ SABE que se trata de uma porcaria, mas você gosta mesmo assim? Poizé...
O mundo inteiro tá destruindo esse filme, dizendo que é tão ruim que dói, que chega a ofender.
Pois bem, eis que digo. DE FATO, é um filme bem ruim.
Mas eu gostei dele.

Ele começa bem ruim. Mas não é "ruim" tipo, "ah tá fraquinho, mas tudo bem".
Não, é RUIM MESMO, do tipo "porra, no que fui me meter? Por que paguei esse ingresso?"
Mas aos poucos, foi melhorando, e melhorando, e o filme atingiu um nível tão absurdo em seus conceitos, e em seus horríveis efeitos especiais, e em suas atuações canastronas, que acabou ficando bem bacana.


No melhor estilo Tela Quente, a história acompanha um jovem rapaz chamado Dave (interpretado pelo sempre carismático Jay Baruchel, mas que parece fadado a interpretar nerds para o resto da vida) que ao encontrar o poderoso feiticeiro Balthazar (interpretado sempre divertidamente canastrão Nicolas Cage) descobre ser "o escolhido" para ser O Primeiro Merliano, e lutar contra as forças do mal.
Muito original, não?
Ao menos que eu me lembre é isso. Realmente não se pensa muito na história, já que o filme foca mais no humor e nos efeitos (que como já mencionei, por vezes são tão ruins que acabam ficando bons).
Na realidade, seguindo o exemplo do meu post sobre Meu Malvado Favorito, esse filme pode ser encarado friamente e criticamente, ou você pode ir exigir nada do filme. E ele só funciona dessa forma, se cada um que for assistir chamar os amigos, desligar o cérebro e assistir sem pensar muito. Aí sim, dá pra se divertir.
No entanto se for parar para analisar friamente, você vai começar a notar as VÁRIAS falhas do filme, e vai notar que se trata de uma grande merda.

Nicolas Cage, um dos meus atores favoritos (por ter realizado os já lendários "A Rocha", "Con Air" e "A Outra Face", além  do maravilhoso "Adaptação") está o mesmo cara de sempre.
Sim, eu sou fã dele, mas realmente, em filmes de ação, Cage sempre interpreta o mesmo personagem.
Antes incomodava, agora a gente até se acostumou. Ao menos a peruca dele, dessa vez, é bem aceitável (ao contrário da pavorosa usada em O Vidente).
Espero ansioso o momento em que Nicolas Cage vai voltar a atuar em dramas, único campo em que ele REALMENTE se sai bem (ganhou um Oscar por "Despedida em Las Vegas" e foi indicado para outro pelo já mencionado "Adaptação").

E ah sim, importante mencionar que o filme contém a presença do grande ator Alfred Molina.
Esse cara é tão sensacional que somente a presença dele já dá ao filme uma maior dignidade. Pode-se dizer que ele é a melhor coisa do filme, já que ele quase sempre rouba todas cenas em que aparece.
E se digo "quase", é porque em algumas, ele tem que disputar com o divertidíssimo Toby Kebbel (o eterno Johnny Quid, de "Rocknrolla").

Então é isso. Se for pra levar os amigos, ou a namorada, ou os filhos. Enfim, se for pra levar uma galera pra assistir com você, e nenhum de vocês for particularmente exigente, ou que saiba em quais momentos ser exigente em relação a filmes, então encare o filme sem medo.
Mas se você assistir como eu, que fui sozinho ver, apenas com o objetivo de realizar racionalmente (descartei rapidamente esse objetivo após 15 minutos de filme), então assista a outro filme, pois vai se decepcionar.

Dica: "A Origem" talvez ainda esteja em cartaz.
=)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Novo já nasce velho

Post sobre uma das minhas bandas favoritas.
Aliás, na verdade é sobre o DVD dessa banda. Se trata da banda O Rappa, e seu novo DVD "Ao Vivo".
Sim, isso mesmo. Apenas "Ao Vivo". É o título. Dizia-se em dar o título "Registro", que seria interessante, mas acho que esqueceram dessa idéia. Talvez porque "Ao vivo" seja tão mais genial e criativo.


O Rappa é responsável pelo melhor show que fui na vida. Trata-se do show que a banda realizou em Belém em Janeiro de 2007 pela turnê do Acústico MTV. O que vimos era uma banda no topo de sua capacidade, apaixonada pelo próprio material (já que a animação era enorme em todos os integrantes da banda), e apaixonada por fazer shows, já que nessa época deles, um show era melhor que o outro. Esse show, ocorrido em Janeiro de 2007, foi o auge. Tocando 18 músicas, e contando com todos os instrumentos do Acústico, a banda explodiu no palco. Digamos que até músicas que eu já considerava relativamente manjadas na época conseguiram ser tocadas de forma sensacional (me lembro da versão inacreditável de "Me Deixa" e do climático início de "Pescador de Ilusões" até hoje).
Mas então o que aconteceu? A banda prosseguiu em turnê por mais um ano e depois parou para gravar seu novo CD. Se tratava de "7 vezes", de 2008, CD que os fãs aguardaram ansiosos.
Ele saiu e... e aí? Inicialmente, achei 7 Vezes muito bom. Músicas interessantes, algumas diferentes do estilo da banda (se é que a banda possua um estilo definido). Mas um grande amigo me chamou atenção para o fato de que o CD era composto apenas por músicas "coadjuvantes". Todas boas, mas nenhuma especial. De fato, não havia uma música da potência de Reza Vela, ou da energia de "Tumulto", mas apenas achei que estavam todos sendo exigentes demais, e que era um bom cd sim. Afinal todas as bandas têm altos e baixos.

Mas eis que sai esse DVD "Ao Vivo" (literalmente) e, depois de assistí-lo, me fez perceber.
A intensidade sumiu.
Tá certo que não sumiu totalmente. O show (que foi gravado na Rocinha, no RJ) contém ótimas versões de músicas mais antigas. Mas não conseguiu apagar a sensação de relativa inércia da banda no palco.
Falando já da intensidade. Que diabos aconteceu? As músicas antigas, que conheço bem ao vivo, não me deixaram ansiosos. Eu queria ver as músicas novas (embora sejam de 2008) ao vivo, já que a banda não passou pela nossa querida cidade ainda com essa turnê. E, após assistir a esse registro ao vivo, finalmente compreendi o significado de "um cd composto de músicas coadjuvantes."

São músicas boas? De fato, são. Mas quase nenhuma empolgou de fato o público (ou eu, o telespectador, que estava assistindo). Com exceção de Hóstia, que teve uma boa versão, melhor até do que a versão de estúdio, todas as outras foram bem fracas. A que chegou mais perto de empolgar foi "Monstro Invisível", mas isso porque se trata de uma música já famosa e conhecida do grande público (além de ser a melhor do 7 Vezes). "Meu Santo tá cansado" foi a maior decepção para mim. Se trata de uma música intensa no cd, empolgante, uma das minhas favoritas. Ao vivo nem parecia a mesma música. Tava esperando a porra do palco explodir com os caras pirando na hora do segundo refrão (que é o que acontece no CD), mas não aconteceu. Continuou o mesmo ritmozinho, tranquilo, até o final. "Súplica Cearense", que considerava uma música impossível de ser menos do que excelente, consegue ser apenas bacana, legal. E nem vou mencionar o absurdo de eles abrirem o show com "Meu Mundo é o Barro". É música pra meio de show, não pra abertura.

Mas se as novas decepcionaram, vejamos as antigas.

Bem, em se tratando d'O Rappa, seria impossível eles estragarem o repertório um pouco mais antigo sensacional que eles têm. Mesmo assim os caras quase conseguem a proeza em algumas músicas.
"Reza Vela" que normalmente faria todo mundo enlouquecer no show, foi apenas "muito boa". Homem Amarelo mantém sua intensidade habitual (embora o "cor da pele? foda-se!" no final já teja se tornando lugar-comum). A normalmente incrível LadoB LadoA adotou um ritmo diferente, e não me agradou muito. Mas essa até dava pra passar. O que me incomodou de verdade foi a versão de Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro. Quem me conhece sabe o quanto gosto dessa música. Esta versão, apesar de (relativamente) interessante, empalidece terrivelmente diante da versão explosiva de 11 minutos do outro registro ao vivo deles, o Instinto Coletivo. Pode-se argumentar que a banda sempre procura mudar suas músicas, para torná-las sempre atraentes. Não foi o caso. A letra da música é agressiva, ela GRITA por uma música mais pesada, e não essa batida mais ou menos que eles colocaram.
Músicas como Mar de Gente, Rodo Cotidiano e Pescador de Ilusões poderiam tirar férias do setlist pra só voltar depois. Embora seja difícil tirar Pescador, devido ao seu catártico refrão. (o mundo inteiro conhece essa música por causa desse refrão, apesar de talvez nem conhecerem o nome da música).
Porém vem O Salto (minha música favorita da banda) e lava a alma de todo mundo. Sem dúvidas, o ponto alto do show. A versão tocada foi destruidora, ainda mais porque eles colocaram de volta os sons da orquestra presentes na versão de estúdio. Isso é apenas parte mérito da banda, já que devido à inacreditável qualidade da música (repito: inacreditável), a banda teria que tá MUITO ruim para estragar essa música ao vivo.

Foi um show legal. Pra quem não conhece a banda, pode até gostar bastante. Mas para nós, fãs apaixonados, que já fomos em mais de um (mais de dois até) shows da banda, fica claro um certo desânimo. Eles podem melhorar e muito. Eu que vi o Falcão quase virar do avesso no show acústico do tanto que o cara pulava, me surpreendi com o quanto ele ficou parado cantando (apesar de se mostrar empolgado o tempo todo).

Então é isso. Show legal, mas considerando que se trata de uma gravação para um DVD ao vivo, poderia ter sido muito melhor. Eles são capazes disso, só falta eles perceberem.



domingo, 8 de agosto de 2010

"Good" is a point of view.

Gostam de animações?
Na minha opinião as animações têm sido responsáveis por alguns dos melhores filmes lançados atualmente. Vide Wall-E, Os Incríveis, Up - Altas Aventuras, todos sensacionais (e todos do mesmo estúdio, a Pixar).
Isso foi especialmente comprovado esse ano com o lançamento de Toy Story 3, que está sendo um dos melhores do ano até agora. Sim, também se trata de mais uma obra da Pixar. Na realidade, as maiores obras-prima de animação saíram desse estúdio.
Dos estúdios concorrentes, temos obras como Shrek, Madagascar, Kung Fu Panda e esse novo chamado Meu Malvado Favorito (protagonista do post de hoje, que comentarei mais adiante), que embora não sejam brilhantes e memoráveis como as obras da pixar, se mostram bastante divertidos e isso é o príncipal motivo de seu sucesso.
Essa divisão é bastante importante, pois ela influencia na maneira que pelo menos nós, apaixonados por cinema, encaramos certas animações.
Se ela for da Pixar, podemos encarar como críticos (ou seja, como chatos-pra-cacete) ou podemos encarar com o cérebro desligado, que provavelmente iremos acabar adorando o filme de qualquer maneira.
Já se ela for de estúdios concorrentes, independendo de qual seja (a Dreamworks, responsável por Shrek e Madagascar sendo o mais famoso deles) provavelmente só iremos nos satisfazer totalmente se encararmos com o cérebro desligado, ao passo que se formos críticos, vamos encontrar falhas aqui e ali.
Sendo assim, tentarei comentar a nova animação, Meu Malvado Favorito, das duas formas.

1) De forma crítca:

O filme começa de forma inteligente, com várias cenas interessantes mostrando Gru praticando atos de maldade (leves para não encomodar a criançada). No entanto, a medida que o filme vai passando, vamos percebendo que ele seguirá a mesma partilha do malvado que, conquistado pelas crianças, acaba mudando sua natureza de malvado.
No entanto, mesmo essa mudança é retratada de forma brusca, e se encontra praticamente toda em uma só cena (assista o trailer, a cena está lá), o que acaba por soar um pouco artificial demais.
Mesmo assim, o filme apresenta momentos de humor que funcionam, a maioria deles protagonizado pelo próprio personagem principal, Gru.
Já seus Minions, aqueles bichinhos amarelos, embora engraçadinhos, acabam se tornando apenas irritantes em alguns momentos.
E a referência a O Poderoso Chefão, soa meio fora de lugar, embora qualquer coisa envolvendo O Poderoso Chefão seja sempre bem-vinda.

2) Com o cérebro desligado:

Visto dessa forma, a maioria das falhas realmente não importa. O filme é suficientemente divertido e visualmente interessante para se sobrepor a todas essas deficiências. Além de que os momentos de emoção realmente funcionam (você saberá quando os vir) e acabam conquistando quem assiste. Se for assistir no cinema, assista dessa forma.

obs1.: Que fique claro que admiro bastante os críticos de cinema (ao menos a maioria deles) e que o "chato-pra-cacete" ali em cima foi apenas uma brincadeira com a forma por vezes excessivamente exigente que os mesmos encaram certos filmes. Mas nós, que somos fãs de cinema, sempre queremos dar uma crítico. Sendo assim, nos tornamos (nós mesmos) os chatos-pra-cacete.
Mas para isso, escrevo aqui a fala de Anton Ego, personagem da animação Ratatouille, também um crítico:
"Eu não gosto de comida. Eu AMO comida. Se eu não gostar do que provei, eu não engulo!"
Substitua a palavra "comida" por "filmes" e você vai entender basicamente nosso ponto de vista.

obs2.: O 3D do filme é interessante, porém não fundamental. Quem assistir em 2D vai se sentir igualmente satisfeito. Só uma pena que os realizadores pensem que só existem 3D no mundo e tenham incluido duas grandes sequencias que só funcionam bem em 3D (uma delas em uma montanha russa, e a outra acontece nos créditos finais).

sábado, 7 de agosto de 2010

An Idea...

Esse é meu segundo blog.
Antes de mais nada devo mencionar um fato importante: gosto de escrever. Muito. Outro fato importante: gosto de filmes. Também muito. Então alguns anos atrás criei um blog para postar críticas (ou pelo menos eu as considerava como tal) sobre filmes que estavam saindo na época (era em torno de 2007, me lembro de ter feito críticas para o primeiro Transformers e o filme Duro de Matar 4.0, dentre outros).
Passaram-se algumas semanas e parei de postar. Não sei bem o motivo. Não sei se a inspiração acabou. Não me lembro exatamente.
Agora, 3 anos depois, na mesma época do ano, aqui estou postando novamente. Por um motivo muito simples: um filme.
Hoje tive a oportunidade e o privilégio de conferir mais uma obra daquele diretor que é agora oficialmente meu ídolo, Christopher Nolan.  Se trata de A Origem (Inception, 2010), filme bastante comentado recentemente e considerado um dos mais esperados do ano, e agora também um sucesso comercial.


Contando com uma trama bastante complexa, o filme ganha pontos justamente por respeitar quem o assiste durante todo o momento da projeção. Ele conta com a nossa inteligência para conseguir acompanhar o desenrolar da história, sem precisar parar a cada 10 minutos para se explicar.

A trama do filme acompanha Don Cobb (Leonardo DiCaprio) e um grupo de profissionais que se especializaram em invadir o sonho de pessoas e dali extrair informações valiosas. Como acompanhamos na sequência inicial do filme, cada uma das pessoas da equipe possui uma função específica no processo (que você deverá conferir por si mesmo pra não estragar nenhuma surpresa). E ao mesmo tempo, podem existir várias "níveis" de sonho (um sonho dentro do outro), mostrando a inteligência dos roubos da equipe, que por vezes tenta fazer a vítima acreditar que já está acordada, só para depois descobrir que estava apenas dentro de outro sonho.

Eis que então, é dada à equipe liderada por DiCaprio uma nova missão: a de IMPLANTAR uma idéia na mente de uma pessoa, com o objetivo que tal pessoa realize determinado objetivo após acordar.
E a partir daí, começa uma p*ta de uma viagem pelo subconsciente.

Vale mencionar, primeiramente, que os efeitos especiais são espetaculares, principalmente por funcionarem PARA a história, e não apesar desta. A maneira como a realidade é distorcida dentro dos sonos irá deixar muita gente sem acreditar no que está vendo. E além disso, o filme utiliza o interessante conceito de que acontecimentos no mundo real podem influenciar o mundo dos sonhos, como na cena em que um sonhador que se encontra em queda livre em um sonho, acaba por eliminar a gravidade em outro sonho, ou na cena em que uma pessoa que dorme com vontade de ir ao banheiro, acaba por sonhar com uma chuva torrencial. Esse conceito abre várias oportunidades para Nolan (também autor do roteiro) realizar várias cenas que não se encaixariam em nenhum outro projeto (como na cena em que uma cidade se dobra sobre si mesma).

O elenco também, está fenômenal. A começar por DiCaprio, que já entregou outra excelente atuação esse ano no filme Ilha do Medo (Shutter Island). Ele encarna Don Cobb com tamanha naturalidade, que nem parece estar atuando. Passando por Joseph Gordon-Lewitt, um ator que gosto cada vez mais, que faz um personagem que realiza a maior parte das sequências de ação no filme (uma cena de luta em um corredor giratório envolvendo seu personagem será algo que não esquecerei tão cedo), e contando com pequenas participações, mas muito marcantes, como o personagem de Michael Caine (em seu quarto trabalho com o diretor).
Mas o grande destaque da produção é, sem dúvida, sua trama. Complexa e incrivelmente bem planejada. Vê-la se desenrolar diante de nossos olhos é uma experiência fora do normal. Havia momentos em que nem eu soube como reagir às cenas, de tão inacreditáveis (e não no sentido de "nossa, que filme mentiroso" e sim no sentido de "pqp, como esses caras fizeram isso?"). E a oportunidade de conferir o filme pela segunda vez, ou terceira vez, é nada mais do que um presente do diretor para nós, os sortudos, de poder assistir a algo assim.

Como eu disse, depois de 3 anos, um filme conseguiu me inspirar a voltar a escrever. Assim são as melhores obras de arte, aquelas que o inspiram a melhorar, a realizar alguma coisa, independente do que você esteja passando no momento. E A Origem é justamente isso. Uma obra de arte.

Não sei se dessa vez o blog vai durar. Mas independente disso, eu me sentia na obrigação de fazer um post sobre A Origem, e de chamar atenção para todas as suas qualidades.
Assista, recomende para todo mundo e assista novamente.