segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Crucify the ego, before it's far too late"

Hora de outro post pessoal, apesar de ter prometido não fazer mais isso.
Mas como nossa vida está em constante transformação e movimento, não dá pra cumprir esse tipo de promessa, não é mesmo?

Pois bem, em dados momentos, quando nossa auto-estima está ameaçada, recorremos a arrogância para nos sustentar. Ou seja, quando a gente começa a se sentir pra baixo por causa de outra pessoa, começamos a ser arrogantes, talvez até na esperança de nos iludirmos, pensando "sou uma pessoa melhor do que fulano, nem vou ficar me preocupando com isso" ou algo assim.
As vezes recorremos a atitudes radicais como parar de falar de vez com a pessoa (as vezes mantendo aquela esperança de que a pessoa corra atrás da gente novamente).
Eu já cometi esses erros, até mais de uma vez, e acho que tá na hora de parar com isso.

Nessas horas, que sentimos que simplesmente não vamos conseguir o que queremos, é muito fácil passar a utilizar a filosofia do "ligar o foda-se e ser feliz". Até parece mesmo uma idéia genial.
Mas não é, nem de longe.
Afinal de contas, se ligamos o "foda-se" então teoricamente não nos importamos mais com nada que aconteça, certo? Nem com mais ninguém. Mas se não nos importamos como eles, isso dá a eles o direito de REALMENTE não se importarem, de fato, conosco. Afinal o que fizemos para merecer a atenção deles?

Ninguém ganha vários amigos simplesmente por existir. Tudo se cultiva, tudo se busca. (se você é adepto do "não corro atrás de ninguém" então lhe peço para parar de ler agora e fechar essa página.)
O "buscar" não está no sentido de sair numa busca, de fato, mas no sentido de procurar ser uma pessoa amigável para todos que você conhece. Todo mundo gosta de pessoas bacanas, que se mostram bem-humoradas até nas horas mais complicadas. E é permanecendo assim que você começa a ganhar amigos de verdade, que são algumas das pessoas mais importantes da nossa vida. É assim também que você desperta o interesse de algum parceiro ou parceira, podendo se envolver e desenvolver um relacionamento saudável daí.

Mas o ponto que quero chegar é: NINGUÉM consegue ser agradável quando se é ao mesmo tempo arrogante. Não precisa cumprir todo estereótipo de arrogante. Basta por exemplo, você pensar que é um pouquinho melhor que outra pessoa, e que as bobagens dela não merecem atenção.
Pronto, você é uma pessoa arrogante. (É sim!!)
Mas não fique muito puto, porque eu também sou assim. Todos são assim. Todos, uma hora ou outra, se consideram bons demais para entender outra pessoa, ou importantes demais para ter seu orgulho completamente ferido e suas vontades completamente frustradas.
E se nós, resolvemos por algum motivo, assumir essa natureza de arrogantes, não iremos cultivar porra nenhuma. Nada mesmo. Zero.

Hora, se todo conhecimento que pensamos ser nosso veio de fora, se nossas idéias são formadas a partir de coisas que observamos, que analisamos, que entendemos, porém ainda assim coisas DE FORA, significa que nada do que sabemos, nada do que aprendemos, nenhum dos valores que julgamos ter, é nosso de verdade. Apenas refletimos de volta aquilo que aprendemos no decorrer da nossa vida.
De que adianta então nos consideramos superiores a alguém, se não fomos totalmente responsáveis nem mesmo pelos nossos valores, pelos nossos modos?
Não existe motivo lógico então, para ser arrogante do jeito que nós somos. Não existe propósito em tentar diminuir uma pessoa, e puní-la, na imbecil intenção de nos sentirmos melhor.
Esse rancor, essa falsa superioridade, só nos deixa cegos para a verdadeira questão: sem ninguém, nós não somos merda nenhuma. Ninguém aprende sozinho, ninguém é feliz sozinho!

Então devemos buscar estar perto das pessoas, buscar ser agradável, nos enxergar como iguais. E se alguma pessoa não quiser você, seja por qual for o motivo, aguente firme. Só podemos tentar controlar os nossos sentimentos, não podemos exigir o mesmo dos outros. Então aguente firme, e siga em frente. Não tente se vingar, evite se emputecer com isso. Não se sabe o papel que essa pessoa terá em sua vida futuramente.
Quando você se mostra calmo e humilde, as pessoas QUEREM gostar de você. Então não ceda ao descontrole, à arrogância, senão daqui a pouco ninguém vai te levar a sério de verdade.

Vamos buscar e cultivar pessoas agradáveis a nossa volta, SENDO agradável para com elas também.
Interessante forma de proporcionar felicidade: fazer alguém feliz, exatamente por estar feliz.

=D

Valeu!

sábado, 11 de setembro de 2010

Cold as the Cold Wind Blows

Eu não sou o maior fã de rap que existe, mas se tem um rapper que sou fã de verdade, esse é Eminem.
E isso desde que ganhei o CD The Eminem Show de presente de aniversário lá em 2003 (e ele tá até hoje inteiraço) e que escutei zilhões de vezes. Depois descobri que se tratava de seu terceiro trabalho de estúdio.
Os dois primeiros, The Slim Shady LP (de 1999) e The Marshall Mathers LP (de 2000) , consegui comprar tempos depois. Os dois ácidos, bem-humorados, polêmicos e geniais em todas as suas músicas.
Seu trabalho seguinte ao The Eminem Show,  "Encore", de 2004, antecipado pra cacete, devido a uma adoração quase religiosa que alguns fãs tinham, acabou sendo visto como decepção. Não concordo. Apesar das letras serem até bem fracas se comparadas aos trabalhos anteriores, algumas músicas ainda agradaram bastante.
Depois de um longo hiato, o cara finalmente lançou "Relapse" ano passado. Esse sim, uma certa decepção pra todo mundo, já que quase nenhuma música chamou realmente atenção (exceto "Beautiful", que é ótima).
Eminem tinha acabado de sair do fundo do poço em seu vício nas drogas, além de ter enfrentado a morte de seu amigo desde tempos da adolescência, Proof. Então, talvez sua cabeça não tivesse no melhor lugar.

Nesse ano, sairia uma continuação (Relapse 2, portanto). Só que no processo de gravação, Eminem viu uma mudança radical tanto nas letras quanto no som e decidiu que o CD não tinha mais nada a ver com Relapse, e foi entitulado "Recovery", principal motivo desse post.

Já desestimulado pela decepção que foi Relapse, inicialmente nem dei atenção para esse álbum. Porém aos poucos, começaram a sair os primeiros singles e aos poucos começaram a fazer um grande sucesso. Então me chamaram atenção.
O primeiro, "Not Afraid" tem um refrão grudento pra cacete. Além de ser um sincero pedido de desculpas de Eminem para os fãs, pela decepção que ele tem sido. Desculpas aceitas, sem dúvida, já que Not Afraid já era melhor que o álbum "Relapse" inteirinho e melhor que boa parte de Encore de 2004)

O segundo single, "Love the Way You Lie" com a participação de Rihanna tá nesse momento tocando em tudo que é lugar. E todo mundo gosta dessa música. Você mesmo já a escutou ao menos uma vez hoje, talvez nem saiba. Se Not Afraid tinha um refrão grudento, essa nem se fala.

E hoje, ao encontrar o Recovery com um baita desconto, resolvi comprar (sim, as vezes ainda compro CD, não sou o maior fã dos iPods da vida) e me surpreendi por se tratar, de fato, de um CD do car*lho.
Tá certo que a maior parte das letras se trata de Eminem xingando a tudo e a todos. Se você pensava que ele tava puto nos primeiros CDs, pense de novo. Aqui, o cara consegue ser mais agressivo do que nunca. Isso nem sempre é bom (como na música "Won't Back Down", com a participação de Pink, que acaba soando sem propósito), porém as vezes fica ótimo, (como na explosiva "Cold Wind Blows" que abre o disco).
"Cinderella Man" é uma das melhores, e tem a maior cara de música que vai fechar os shows na turnê desse disco. Bom exemplo de música que não tem um refrão grudento, justamente pela música inteira ser grudenta, e quando você percebe, já a escutou várias vezes.
"You're Never Over", que fecha o disco, é uma música dedicada ao seu falecido amigo Proof. Apesar de soar agressiva demais, ela consegue emocionar no final, já que Eminem realmente parece estar à beira de se debulhar em lágrimas no meio de sua agressividade.

Porém aquela que na minha opinião é a melhor música do CD, é logo a segunda do álbum e se chama "Talking 2 Myself".  Cara, devo ter escutado umas 20 vezes seguidas essa música.
Com um refrão SENSACIONAL (principalmente pela sua sonoridade) e com a melhor letra do álbum, a música se aproxima da fodalidade suprema que foi The Eminem Show (em termos de qualidade apenas, já que é bem diferente de tudo naquele CD).
Nessa música Eminem direciona toda sua raiva para si mesmo, botando às claras o quanto se arrepende de toda merda que fez nos últimos anos, além dos Cds apenas medianos que lançou, e fala que decidiu deixar de frescura e melhorar de vez sua vida. E de fato, com essa música ao menos em termos de qualidade, ele se superou.
É uma pena que provavelmente essa música não faça tanto sucesso quanto as outras (nada contra as outras que tão explodindo nas rádios, as duas são ótimas). Mas dêem atenção a essa música genial, pois ela merece.

Recovery não é um CD totalmente bom. Contém algumas músicas mais fracas, mas aquelas que são boas, realmente compensam no final. Resta esperar que Eminem permaneça nesse caminho, já que agora que o cara tá sóbrio de novo, seu próximo CD pode acabar sendo um dos seus melhores trabalhos.

Valeu
=)

domingo, 5 de setembro de 2010

Você já imaginou vida depois de vida?

Em Abril desse ano, foi lançado nos cinemas um filme (ótimo, por sinal) sobre Chico Xavier.
Apesar de um filme feito muito mais para a população adepta da religião espírita (e faço parte dessa população, sou espírita), o longa de Daniel Filho conseguiu superar tais barreiras de religião, de crença, e acabou se tornando um filme para todos (apesar do ceticismo de muitos se manter acerca da iluminada figura do Chico).
Pois bem, eu sei que é um saco quando alguém tenta empurrar suas crenças para as outras pessoas. E sabendo que esse Nosso Lar, que saiu esse mês, é um filme muito mais voltado para a população espírita do que o longa "Chico Xavier" foi, vou evitar qualquer opinião sobre minha religião ou sobre outras religiões, já que esse claramente é um assunto pessoal, e CADA UM TEM O DIREITO de ter fé no que escolher.

Pois bem, o longa conta a história do médico André Luiz (meu xará) após sua morte, no mundo espiritual. Inicialmente indo parar na sombria e monstruosa relidade do Umbral, devido aos seus vícios e modos durante a vida, André é levado à colônia espiritual chamada Nosso Lar, após anos de provação.
Lá ele conhece companheiros, reencontra familiares a muito tempo perdidos e acaba por aprender muito mais sobre si mesmo e sobre o Universo do que esperava.
Tudo isso é descrito no livro "Nosso Lar", escrito por André e psicografado por Chico Xavier.

Quem leu esse livro (ou ao menos parte dele) sabe que, além do linguajar mais difícil, o livro apresenta um texto claramente descritivo.
Grande parte dele se trata de André descrevendo o que vê na colônia de Nosso Lar, além de seus aprendizados e conversas inspiradoras que tem com os indivíduos que lá residem.

E assim também é o filme.

Desde o começo, com André acordando no Umbral, ouvimos sua narração, contando o que sentia, o que observava. Se inicialmente isso tira um pouco do impacto, já que as imagens de sofrimento e dor no Umbral dispensam qualquer tipo de narração, posterioramente ela se torna necessária e até parte importante da história, já que existem muitos detalhes importantes sobre cada particularidade da colônia que não podem ser compreendidos apenas com a imagem.

Nosso Lar chega também como um dos filmes nacionais mais caros já feitos (custou R$ 20 milhões) e isso é sentido na tela.
Os efeitos são ótimos, mesmo para o padrão internacional. As imagens das almas circulando o planeta Terra durante a Segunda Guerra Mundial é sensacional. E a imensa montanha que sustenta a colônia Nosso Lar no seu topo me chamou atenção desde o trailer.
A trilha sonora do americano Philip Glass também é destaque, principalmente nas cenas envolvendo o Umbral.
As atuações são muito boas, embora soem teatrais demais em alguns momentos (o ator que interpreta André, Renato Prieto, é um ator de teatro e esse é um de seus primeiros trabalhos no cinema).

Esse será um filme menos querido do que "Chico Xavier", já que conta com um tom muito mais voltado à crença espírita. Ou seja, é um filme menos universal que o filme sobre o médium.
Além de que seu tom de constante explicação vai acabar por desagradar algumas pessoas. Embora talvez não pudesse ter sido feito de outra forma. (na realidade, o filme até achou um meio de contornar as várias explicações do livro, simplificando-as ou apenas mantenando as mais importantes).

Mesmo assim, Nosso Lar representa um marco no cinema nacional, pelos seus aspectos técnicos, que de fato são impecáveis, e serão a parte mais comentada do longa pelo público.

E fico realmente muito feliz, de uma obra complexa como Nosso Lar ter sido tão bem adaptada e feita com tanto carinho para o cinema. Que venham outras adaptações, tão boas quanto essa. Nem precisando necessariamente ser de obras espíritas, mas de obras que possam nos inspirar a nos melhorar, a amar uns aos outros. Afinal, talvez esses sejam nossos propósitos mais claros nessa vida.
E cinema também se beneficiaria de tais histórias, pois como diz um dos personagens do filme:
"O mundo precisa de histórias felizes!"


Muito obrigado por ter lido, ou apenas pela breve atenção.

=)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Força sempre!

Na refilmagem de 2008 do clássico "O Dia em que a Terra Parou", (na qual Keanu Reeves interpreta o alienígena Klaatu), a principal ameaça, aquilo que aterrorizava toda a humanidade, não eram os alienígenas. Pelo menos não para quem estava assistindo o filme.
O que mais aterrorizou o público foi a presença em cena de um garotinho chamado Jaden Smith (vulgo "filho do Will Smith"). Esse garoto conseguiu a façanha de arruinar TODAS AS CENAS em que aparece, e ser completamente irritante e insuportável em todas elas.
Então quando descobri que ele faria o papel principal da refilmagem de Karate Kid, imediatamente fiquei com um pé atrás. Como poderia um garoto chato desse interpretar um dos personagens mais carismáticos que o cinema já viu?

Felizmente, eu estava enganado. Com esse Karate Kid, o moleque não apenas se redime totalmente daquela atuação desastrosa, como consegue emocionar o público com seu personagem.

A história do filme é parecida com a do original. Garotinho chamado Dre se muda com a mãe para a China. Lá ele é discriminado e atacado pelos valentões locais (aquele tal de "bullying", sabe?). Eis que ele conhece o Sr. Han (que era o Sr. Myagi no original) que o ensina a lutar para se defender desses ataques, ao mesmo tempo em que o treina para lutar em um torneio.

Jaden Smith, se antes me emputecia com sua presença em qualquer filme, agora surge absolutamente real e carismático. Pois se inicialmente apresenta algumas irritações e mal humor, é apenas porque o roteiro exige que isso aconteça (afinal, deve ser difícil simplesmente se mudar para a China de uma hora para a outra, onde não se conhece nem as pessoas e nem os costumes completamente).
E é bastante comovente vê-lo tentar conter o choro na primeira surra que leva dos valentões chineses, além de provar que Smith tem talento para ser um ator dramático tão bom quanto seu pai (sim, além de um talentoso ator cômico,Will Smith provou sua capacidade como ator dramático em filmes como À Procura da Felicidade e Eu Sou a Lenda).

Outra boa surpresa do filme é justamente o já veterano Jackie Chan. Embora seja sempre carismático em todos os seus filmes, Chan raramente demonstrava seu talento para drama. E aqui, devo dizer que ele faz seu melhor trabalho. Além de óbviamente, apresentar um talento inigualável nas artes marciais, Chan se sai extremamente bem como ator, particularmente em um momento doloroso que se passa dentro de um carro com o personagem de Jaden Smith.

Vale destacar também a atuação de Taraji P. Henson, como mãe de Dre, que demonstra um amor imenso pelo seu filho, embora se mantenha rigorosa em sua educação. E é também tocante observar no momento em que a mãe chama atenção de Dre, por apresentar um olho roxo, somente para logo em seguida defendê-lo de uma pessoa que tenta insinuar que o garoto seja encrenqueiro.

E se até agora só falei da parte dramática do filme, foi porque foi o que mais me surpreendeu.
Porém, o humor presente no longe também é impecável. Desde o jeitão cansado de Jackie, passando pela empolgação ingênua de Dre, e pela carinhosa presença de uma menina que aparece como seu interesse romântico, o filme vai deixar todo mundo sorrindo por um bom tempo, ainda mais vendo o treinamento inicialmente sem sentido do Sr. Han (que, mais uma vez, se torna emocionante ao percebermos o quanto toda aquela repetição é necessária).

É então frustrante, portanto, reparar que o filme desperdiça momentos com enorme potencial no torneio de artes marciais no final do terceiro ato. Tentando empregar cortes rápidos e golpes irreais (que ainda usam efeitos especiais), nessa hora o filme perde seu impacto, o que é uma pena.
Até porque, não importa o quão estrambólico o golpe final seja (e acredite, o chute dado por Dre no final do torneio é MUITO exagerado) não chega nem aos pés da emoção de ver o Golpe da Garça finalmente ser dado com perfeição por Ralph Macchio no final do Karate Kid original, de 1984.

Mas nada disso consegue arruinar o filme como um todo. Muito pelo contrário. Apesar dessas falhas serem todas no final, ainda assim saí empolgado e feliz com o que eu tinha acabado de assistir, o que comprova a força da história do filme.

Afinal, não importa o quão manjadas e piegas sejam as velhas boas lições, elas jamais deixam de nos emocionar e inspirar.

"A vida vai nos derrubar, mas cabe a nós escolher se vamos ou não nos levantar novamente."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"The 80s are back"

Esse não será o post com o linguajar mais culto de todos os tempos, mas não se incomode.
É que simplesmente não consigo esconder a empolgação de ter visto esse filme.

Os anos 80 estão sendo devidamente homenageados nesse ano de 2010.
A começar pela divertida adaptação da série Esquadrão Classe A para o cinema, passando pela refilmagem de Karate Kid, chegando à continuação Tron: O Legado que chega no cinema no final do ano.
E claro, esse que se trata talvez de um dos filmes mais comentados do ano (nem sempre pelos motivos certos), Os Mercenários com seu inacreditável elenco.
Stallone, Jason Stathan (o careca de Carga Explosiva), Jet Li, Dolph Lundgren, Mickey Rourke, e ainda com tempo para participações dos monstros do cinema de ação, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger.
Aí em cima estão precisamente todos os motivos para se assistir a esse filme.
"Mas e a história?" você perguntaria.
Pra lhe ser honesto, assisti o filme, aplaudi e vibrei junto com o cinema inteiro (que estava lotado) e em nenhum momento lembrei de reclamar da história.

Me lembro que havia um ditador malvado (sempre tem), com um americano ainda mais malvado por trás (lugar comum hoje em dia).

E é isso.

Fora isso, tem muito tiro, explosão, gente explodindo em pedaços, gente levando tiro, gente levando facada.
É o cinema de ação dos anos 80 em sua melhor forma.
E é FUNDAMENTAL que quem assistir a Os Mercenários gostei desse gênero de filmes (tipo, 98% da população masculina do mundo).

O filme começa meio fraco, até por que as cenas de ação, com seu ritmo frenético e câmera balançando terrivelmente acaba por atrapalhar.
Aliás essa moda de "câmera tremida" deveria ser relegada somente ao diretor Paul Greengrass (que dirigiu A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne) já que só ele sabe fazer direito.
Portanto se você não é Paul Greengrass, NÃO COLOQUE UMA CÂMERA TREMIDA em suas cenas de ação. Não é legal, não é interessante, não é inteligente.

O filme fica nesse ritmo meio morno (embora como eu já tenha dito: a presença dos atores, ídolos de toda uma geração, acaba por apagar a maioria das falhas) até mais ou menos o final do segundo ato.
Porém ali, nos 30 minutos finais, toda e qualquer reclamação que eu tinha do filme foi pelo ralo.

Numa porrada sensacional entre os mercenários do título e o exército do Ditador, é tanto sangue, tanto nêgo pegando tiro, facada, explodindo, que o cinema inteiro ficou maluco.
Seja vendo Stallone cair no soco com o lutador profissional Steve Austin, ou ver um Stathan alucinado decepando membros de praticamente o exército inteiro, ou ver Jet Li bicudando a cara de qualquer um que se aproximasse, ou ver Terry Crews (o Latrell, de "As Branquelas") literalmente explodindo pessoas com uma metralhadora, é nessa hora que o filme ganha o público de vez.

Importante mencionar também outra cena sensacional, que ocorre mais no começo. Se trata do encontro dos três titãs do cinema de ação, Stallone, Bruce Willis e o Arnold Schwarzenegger. Sim, ele mesmo.
A breve conversa entre os três se trata de um dos melhores momentos do filme, com eles disparando insultos um para o outro. Chegava a ser palpável a alegria do pessoal (e me incluo nesse pessoal) que cresceu vendo filmes desses caras, que por muito tempo foram nossos ídolos.
E é sempre um prazer ver o Exterminador do Futuro em pessoa voltar a dar as caras na tela grande!

E não posso esquecer de chamar atenção para a presença de Mickey Rourke (o cara que fez o Chicote Negro esse ano em "Homem de Ferro 2" e que deveria ter ganho o Oscar ano passado por "O Lutador"). Mesmo sendo quase uma participação especial, ele rouba todas as cenas em que aparece. Especialmente naquela que se revela a única cena realmente dramática de todo o filme, na qual o cara conta coisas do passado para o personagem de Stallone.
Mickey Rourke deveria ter uma participação maior.

Bem, é isso.
Se você gosta dos filmes de ação dos anos 80, com um homem só destruindo um exército inteiro, então Os Mercenários é o filme do ano para você.
Se não for fã de violência, então corra... corra para bem longe!

Abraços!

obs.: na nossa gloriosa cidade, o filme só estreou dublado. Então sim, assisti a esse filme dublado, e a qualidade de som da nossa sala estava péssima. Mesmo assim o filme conseguiu ser bom como foi.

Tudo bem que traduzir "The Expendables", título oficial do filme para "Os Dispensáveis/Os sacrificáveis", que seria tradução oficial, não ficaria muito bacana, então eu entendo perfeitamente a tradução para "Os Mercenários". É até um bom título.

Agora velho, toda vez que aparecia um "expendable" escrito em uma moto ou algo assim, o cara traduzia para "Mercenário"! Isso está errado!
O público já está ciente do título do filme, então agora já pode botar as traduções CORRETAS das palavras!
Só uma pequena reclamação.
=D

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"ok..."

O que leva um homem a passar por humilhações (a maioria delas, pessoais) por uma mulher?
Que sentimento seria forte o bastante para impulsionar um rapaz, que até aquele ponto se achava convencido da própria segurança e tranquilidade em relação a sentimentos, a ir de encontro a dúvidas, a frustrações na vã esperança de trocar uma palavra que seja com a mulher que ele gosta?

Esse é um post pessoal, sobre questionamentos.
Não era minha proposta inicial, mas devido às circunstâncias, ao mesmo tempo em que eu PRECISAVA fazer isso, também não vi motivo algum para não fazê-lo.
Mas voltando a questão, por que um ser humano se joga tão intesamente contra uma situação em que ele sabe que só o trará mais complicações, mais dúvidas? POR QUE?

Interessante notar que a oportunidade de avaliar isso racionalmente, me faz esquecer do incômodo que é estar nesta situação.
Sim, nesse momento, não me sinto mal. Me sinto apenas curioso.
Afinal, se eu sabia que insistir, que correr atrás, ia me trazer infelicidade, por que fui mesmo assim?
Não seria mais fácil apenas, ter evitado tudo isso? Ter escolhido outro caminho, o caminho de NÃO SE APAIXONAR e simplesmente ter seguido em frente, sem maiores complicações?

Afinal que porra de pergunta é essa? É CLARO QUE SERIA MAIS FÁCIL!

Seria mais fácil, mas qual seria a graça nisso?
Qual é a graça de você ficar sozinho, apenas você, intocável contra essas paixões?
O lema de "solteiro sim, sozinho nunca" não necessariamente se aplica aqui, já que ficar com uma mulher numa festa que seja, ou em qualquer outro lugar, não necessariamente EXIGE algo de você. A não ser, talvez coragem, para os mais tímidos.
Tá certo que sair agarrando sem responsabilidade é algo divertidíssimo e saudável de se fazer, mas no final das contas, você ainda vai tá sozinho. Não é a toa que depois de um tempo, a maioria escolhe relaxar, escolhe se acalmar.

Então essa é chave. Se a gente não sofre, não passa por dificuldades, a vida não tem a mesma graça.
Claro que se apaixonar e se foder no processo é algo que dá trabalho, mas depois de superado isso DESPERTA algo no indivíduo. Pode ser nostalgia, pode ser um certo trauma, podem ser boas risadas, mas desperta algo SIGNIFICATIVO.
Sempre tentei evitar me apaixonar, mas nunca consigo ser bem-sucedido nessa tarefa.
Considerando que eu já não sou o maior "pegador" de todos os tempos, imagina o que seria de mim, se eu tivesse me mantido fechado todo esse tempo?

Então um conselho amigo? Se apaixone, sem medo. Se der certo, seja feliz. Se der errado, sofra, melhore e encare tudo outra vez! As duas opções valem a pena! Não fique tentando evitar, por que você apenas está se privando de uma das coisas mais interessantes dessa vida.

Não sei se alguém viu aquele filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", mas quem viu sabe que a fala final do personagem do Jim Carrey (dica: é o título desse post), no contexto do filme, é de despedaçar o coração de qualquer um.
Engraçado como algo tão simples quanto a palavra "ok" pode definir tão bem esse sentimento, e além disso, responder todas as perguntas que fiz no começo do post.


=)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Backstreet Benders

Sou fã de M. Night Shyamalan.

O cara dirigiu um dos poucos filmes que me aterrorizou de verdade (O Sexto Sentido), e realizou dois que estão entre meus favoritos: Corpo Fechado e Sinais.

Corpo Fechado, com seus trabalhos de câmera, seus planos-sequência, suas cenas cuidadosamente arquitetadas conseguiam deixar qualquer fã de cinema maluco (a brincadeira de reflexos logo no começo quando se revela um terrível fato sobre o bebê Elijah é prova do talento de Shyamalan).
Sinais com seu absurdo poder de sugestão, conseguiu deixar todo mundo com medo de alienígenas sem quase nem mostrar alienígena algum em cena. Eram sombras se movendo, ruídos, tudo isso comprovando o trabalho de um diretor brilhante.
A Vila, apesar de se tratar de um trabalho menos brilhante, se mostrava suficientemente interessante em suas idéias e se mantinha um bom filme. Embora ali começasse a aparecer os primeiros sinais da presunção de Shyamalan na sua maneira excessivamente lenta de dirigir certas cenas.

Tudo veio abaixo no filme seguinte.

"A Dama na Água", conto de fadas criado pelo diretor foi um marco na carreira de Shyamalan. Mas não se trata de algo positivo. Contando com uma história boba até para a criançada, cenas entendiantes pra cacete, e até mesmo um assassinato de um crítico de cinema no filme, realizado de maneira totalmente infantil, para servir de resposta aos críticos mais ferrenhos do diretor na época, o filme foi uma falha.
FALHOU MESMO. Total.

Mas começaram a sair os trailers de "Fim dos Tempos", e começou a empolgação de novo. Seria uma volta de Shyamalan ao gênero suspense, dessa vez com uma censura para maiores de 18 anos (que aliás foi um fato que as propagandas do filme muito usaram).
Tudo isso para todos nós nos decepcionarmos terrívelmente ao perceber que Fim dos Tempos é a maior piada cinematográfica lançada nos últimos anos. Com uma história beirando o ridículo ao mostrar uma "revolta da mãe natureza", lançando gases tóxicos na humanidade, fazendo com que todo mundo cometa suicídio.
Me lembro da minha vergonha quando levei uma amiga para assistir comigo. Nem sabia aonde esconder a cara, a medida que o filme ia ficando cada vez mais e mais ridículo (alguém lembra da cena que eles tentam correr mais rápido que o vento?)

Eu fiquei puto com estes filmes. Critiquei até o fim.
Mas ainda era fã de Shyamalan. Afinal, ele dirigiu Corpo Fechado e Sinais.
E um ser humano capaz de dirigir aquelas obras, merece para sempre respeito da população mundial.

E agora Shyamalan resolve adaptar o altamente bacana e memorável desenho da Nickelodeon, chamado "Avatar: A Lenda de Aang" ou "Avatar: O Último dobrador de ar". As vezes o dublador mudava o título. Enfim.
(Cuidado para não confundir com a galera azul do (ótimo) filme de James Cameron.)



O filme, como o desenho, mostra um mundo divido em quatro nações: Fogo, Água, Terra e Ar.
Em cada uma dessas nações, existem indivíduos capazes de manipular tais elementos. São os chamados "dobradores" ou, o termo em inglês "benders" (que curiosamente é um termo britânico para "homossexuais". O filme não está sendo levado muito a sério por lá).
Existe, no entanto, um indivíduo capaz de manipular todos os 4 elementos. Se trata do Avatar (a palavra "avatar" por vezes, significa a "representação física de uma divindade" na Terra), e tal Avatar é fundamental para manter o controle entre as nações e proteger todos de qualquer rebelião.
Porém a alguns anos atrás, uma das encarnações dessa divindade, que deveria conter uma revolta da Nação do Fogo, simplesmente desapareceu.
Porém, o espírito reencarnou em um simpático garotinho, chamado Aang (o moleque da seta na cabeça). Ele se une a dois indivíduos da Nação da Água (Sokka e Katara) para tentar por fim à tirania da nação do fogo.
Ah, e Aang é um dobrador de Ar (ou Mestre do Ar, como diz o título nacional).

Se trata na verdade, da primeira temporada inteira do desenho (entitulada Livro Um: Água). Então é difícil mesmo espremer tantos episódios em pouco menos de duas horas de filme. Então várias informações são simplesmente jogadas na cara do espectador. A pressa do filme é tamanha que muitos fatos importantíssimos do desenho se tornam meras observações (e mesmo essas são feitas com pressa).

As mudanças em relação ao desenho também são bastante absurdas.
Por exemplo, aqui no filme, os dobradores do fogo não são capazes de criar fogo das próprias mãos, eles necessitam de uma fonte de fogo pré-existente.
Porra, se é assim, então é só apagar a fonte de fogo que eles ficam na merda! Mas ninguém pensa nisso em nenhum momento do filme. No desenho, eles podiam criar fogo quando bem entendessem, e isso os tornava tão ameaçadores e justificaria também tamanha submissão dos outros povos.

Em determinado momento eles chegam a uma prisão onde se encontram vários dobradores de terra. E a prisão é completamente feita de... terra!
Meu Deus, porque os bacanas lá não simplesmente manipulam as montanhas e a terra sob os pés e destroem os guardas da nação do fogo que montam guarda? Mesmo assim, nada disso acontece. É preciso que Aang chegue e faça um discurso, para só então acontecer alguma coisa.
No desenho, se tratava de uma prisão de metal no meio do oceano, tornando muito mais compreensível os prisioneiros da nação da terra ficarem desestimulados a reagir.

E já que mencionei essa cena da prisão, aqui abro espaço para críticar outra imensa falha do filme: o próprio diretor.
Shyamalan tenta imprimir seu estilo (que funcionou MUITO BEM em suas outras obras menores) em praticamente toda cena. Qual o propósito de enfiar um plano-sequência no meio dessa revolta na prisão?
(planos-sequência são quando a câmera acompanha uma cena por um bom tempo, sem cortes aparentes, quase como se fosse o ponto de vista de uma pessoa observando o transcorrer da cena).
Uma cena dessa, implora por uma montagem um pouco mais frenética ou com mais cortes, justamente pela fluidez da cena. Ela precisa ser empolgante! Do jeito que ficou, ela acaba ficando monótona.

E só uma pausa para comentar algo dessa mesma cena: quando vi vários dobradores de terra fazendo movimentos sincronizados, eu pensei que eles fossem explodiar todo aquele cânion, afinal no desenho, ao somarem forças, o poder liberado pelos mesmos era monstruoso. Mas eis que vejo uma pedrinha saindo da terra, e então surge um OUTRO dobrador que é responsável por arremessar a pedra, afinal aparentemente uns 10 dobradores de terra não conseguiram tal feito. (eu os apelidei de Backstreet Benders, reparou no título do post? =D )

Enfim, sinto que escrevi demais. Existem mais falhas do que essas, mas agora vou chamar atenção para pontos positivos, afinal, o filme também não é um desastre completo.

A sequência da libertação de Aang do cativeiro pelo "espírito azul" é bem realizada. O filme contém dois excelentes atores que roubam todas as cenas. Se tratam de Dev Patel (o Jamal de Quem Quer ser um Milionário?) como príncipe Zuko e Shaun Toub como seu tio Iroh. Quando os dois aparecem em cena, o filme ganha vida e se torna mais interessante.
E a cena final, com Aang exibindo seu verdadeiro poder diante da Nação do Fogo, apesar de empalidecer terrivelmente em relação ao final simplesmente sensacional do desenho, se mantém ainda muito boa, principalmente devido a sua trilha sonora.

Eu sei que não parece, mas eu gostei bastante do filme.

O problema é compará-lo com o ótimo desenho em que ele foi baseado, que aí sim ele se mostra bem fraco. E para quem assistiu tanto ao desenho quanto ao filme, fazer tal comparação é inevitável.

É isso aí.



obs.: o 3D desse filme é totalmente inútil. Tava até para assistir sem o óculos algumas cenas. Assista em 2D, vale mais a pena.